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COMPORTAMENTO geral!

VOCÊ deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado

Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com teu Carnaval

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com teu Carnaval

Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: “Muito obrigado”
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com teu Carnaval

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com teu Carnaval?

Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal

E um Fuscão no juízo final
Você merece, você merece

E diploma de bem comportado
Você merece, você merece

Esqueça que está desempregado
Você merece, você merece

Tudo vai bem, tudo legal

Gonzaguinha, Comportamento Geral. Rio de Janeiro: Odeon, 1973.

Pela análise do tema e dos procedimentos argumentativos utilizados na letra da canção composta por Gonzaguinha na década de 1970, infere-se o objetivo de:

a) ironizar a incorporação de ideias e atitudes conformistas.

b) convencer o público sobre a importância dos deveres cívicos.

c) relacionar o discursos religioso à resolução de problemas sociais.

d) questionar o valor atribuído pela população às festas populares.

d) defender uma postura coletiva indiferente aos valores dominantes.

L.s.N.S.J.C.!

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“O PAÍS” em boas mãos!

QUE bom saber que o nosso livro O País dos Militares e dos Bacharéis encontra-se em boas mãos!

L.s.N.S.J.C.!

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CARMEN Miranda!

O BRASIL é um país cujo povo respira música.  Esta terra já produziu inspiradíssimos autores, prodigiosos musicistas e talentosos cantores, todos artistas de primeira grandeza, que, por gerações e gerações, vêm encantando, divertindo e fazendo mitigar a dor deste povo. Entre as intérpretes, destacamos a arte de Dalva de Oliveira, Emilinha Borba, Elza Soares, Elizeth Cardoso, Nara Leão, Elis Regina, Gal Costa, Maria Betânia e várias outras. Nenhuma delas, porém, destacou-se em nossa história musical como Maria do Carmo Miranda da Cunha, que o mundo conheceu por Carmen Miranda, uma brasileira que não nasceu nem morreu nesta Terra de Santa Cruz.

Carmen Miranda, “A Pequena Notável”, a “Embaixatriz do Samba” e a “Brazilian Bombshell”, nasceu em Marco de Canaveses, Portugal, a 9 de fevereiro de 1909.  No ano seguinte, seu pai, o barbeiro José Maria Pinto da Cunha e sua mãe Maria Emília Miranda, em busca de melhores horizontes, emigraram para o Rio de Janeiro. Maria do Carmo não tinha um ano de idade; Amaro, seu tio, que gostava de ópera, apelidou a menina de Carmen.

Eram tempos bicudos.

Por isso, a necessidade – mãe da invenção – cedo trouxe ares de independência à jovem Carmen. Enquanto seu pai cuidava da barbearia e dona Maria administrava uma pensão, ela, aos 14 anos, empregou-se numa loja de gravatas e, mais tarde, numa chapelaria. Inspirando-se em Olinda, sua irmã mais velha, gostava de cantar o tempo inteiro, mesmo no trabalho, o que ajudava a atrair clientes para a chapelaria, embora os sisudos patrões não aprovassem a ideia. Na pensão, para deleite dos fregueses, ela cantarolava ao servir às mesas. Porém, a clientela da pensão de dona Maria Miranda, que funcionava à Travessa do Comércio nº 13, centro do Rio, sequer suspeitava que aquela mocinha risonha e cantante viesse a se tornar a maior estrela musical do rádio brasileiro, muito menos ainda que Carmen viesse a ser o maior nome brasileiro a brilhar nos palcos e telas dos Estados Unidos da América, feito que jamais seria repetido por nenhum outro artista deste hemisfério.

Entre a chapelaria e a pensão da família, Carmen queria mesmo era ser cantora profissional. Em 1926, ela, porém, ainda não sabia que reunia em si todas as condições que viriam a torná-la uma estrela de máximo brilho, levando-a à fama e à fortuna: era bonita, charmosa, inteligente, extrovertida, independente, de voz melodiosa e sabia cantar. Um dos frequentadores da pensão de dona Maria era o deputado baiano Aníbal de Oliveira, que em 1928 apresentou Carmen ao músico Josué de Barros, também baiano, que trabalhava na Rádio Sociedade Roquete Pinto. No teste que fez ao compositor, em vez do sucesso popular “Jura”, que estava na boca do povo, ela cantou a música do outro lado do disco: a brejeira e quase desconhecida “Chora, violão”. Após a apresentação que fez, a adolescente dirigiu-se cerimoniosa a Josué: “Estou encantada com a maneira como o senhor me acompanhou nesta toada.” E o modesto Josué: “É que eu sou o autor da letra e da música…”. Ora, inteligente como era, é muito provável que Carmen já soubesse que Josué era o autor da canção, por isso a tenha escolhido. Assim conquistava de vez o compositor e produtor musical, que a protegeria, como um pai, nos primeiros passos artísticos.

Veio a década de 1930 e, com ela, o florescimento do rádio, veículo que, protegido pela gestão da ditadura Vargas, invadia os lares da maior parcela da população urbana brasileira, até então carente de entretenimento. E isso a ajudou – o talento na época certa e no lugar certo, o Rio de Janeiro, que era a capital da República e o centro cultural do país. No rádio, o prestígio de Carmen Miranda só era equiparável ao de Francisco Alves, o “Rei da Voz”. Surgiriam então os Cantores do Rádio.

Com as bênçãos de Josué de Barros, a cantora estreou com o samba “Não vá simbora”, do próprio Josué, pela desconhecida gravadora alemã Brunswick. Logo, porém, transferiu-se para a RCA Victor. E foi aí que gravou em 1930 “Taí – Pra você gostar de mim”, de autoria de Joubert de Carvalho, marchinha carnavalesca que vendeu 35 mil cópias, um recorde absoluto numa época em que vender mil discos já era considerado um êxito. Da noite para o dia, Carmen era aclamada como a “maior cantora do Brasil”, famosa de norte a sul.

Seu prestígio artístico era tanto que foi a primeira cantora a assinar um contrato de trabalho com uma emissora de rádio, num tempo em que o normal era os artistas receberem um cachê por participação. Entre 1932 e 36, passava a receber da Rádio Mayrink Veiga o extraordinário salário mensal de dois contos de réis.

Dos estúdios de rádio para os palcos, e dos palcos para as telas. Tudo foi acontecendo rapidamente na vida de Carmen.

Dançarina, recriou a música brasileira com sua peculiar expressão corporal e facial, recursos que agregavam malícia insinuante às letras musicais, inovações que rapidamente caíram no gosto popular. Numa sociedade conservadora, como a da década de 1930, Carmen foi a primeira a fazer do corpo um instrumento de comunicação, sendo – para usar um surrado clichê – uma mulher muito à frente de seu tempo.

Logo passou a ser a artista brasileira que mais viajava para o exterior, levando o título de “A embaixatriz do samba”. Já antecipando sua vocação cosmopolita, somente para a Argentina ela e sua irmã Aurora fizeram sete viagens na década. Lá, elas também cantavam tangos e eram conhecidas por “Las Hermanas Miranda”.

Carmen Miranda desenhava seu próprio figurino, tendência que só se concretizaria muito depois em que artistas pop passariam a dispor de equipes de profissionais para cuidar da sua carreira. Na vida privada, Carmen se mostrava sempre divertida e simples; era comum ela contar piadas de papagaio e dizer palavrões contextualizados. Conta-se que Carmen, ao cruzar no corredor da Brunswick com um alemão gordo, tocou-lhe no abdômen avantajado e disse “Chopp, não é?!”. O germânico era simplesmente o diretor da gravadora.

Diante de sua performance e do extraordinário êxito alcançado, não é exagero dizer-se que hoje, comparativamente, Carmen Miranda estaria no mesmo patamar que estrelas consagradas como Madonna e Beyoncé e outras grandes artistas da música pop.

Havia na década de 1930 um calendário musical bem definido e que as gravadoras aproveitavam para lançar seus discos: carnaval, quadra junina e Natal. Na quadra carnavalesca eram lançadas marchinhas, uma vez que o samba, antes marginalizado, com Carmen caía definitivamente no gosto de todas as camadas sociais. Eram garantia de êxito a voz e os recursos expressivos de Carmen Miranda, já que a artista penetrava igualmente no morro e nos salões elegantes, sendo indistintamente bem recebida pelo povo e pela alta sociedade.

Na quadra junina, a voz, a ginga e a alegria espontânea de Carmen deram vida às marchinhas “Chegou a hora da fogueira” e “Isto é lá com Santo Antônio”, em dueto com Mário Reis, obras musicais de Lamartine Babo até hoje lembradas.

Ainda nessa mesma década, não só a voz, mas a imagem de Carmen passaria a ser bastante requisitada e conhecida por meio do incipiente cinema falado, cujas produções brasileiras se resumiam a projetar os cantores de rádio mais conhecidos, garantindo bilheteria.

Em apenas uma década, para a artista convergiram mais de uma centena de compositores – conhecidos e desconhecidos. Entre eles: Joubert de Carvalho, Assis Valente, André Filho, João de Barro, Lamartine Babo, Ari Barroso, Dorival Caymmi, Josué de Barros, Noel Rosa e Synval Silva, bambas que concorriam entre si para terem suas músicas interpretadas por Carmen Miranda, como absoluta garantia de êxito. Cantaram com Carmen duas dezenas de cantores como Almirante, Aurora Miranda, Mário Reis, Francisco Alves, Sylvio Caldas, Luiz Barbosa, além de grupos como os “Diabos do Céu”. Carmen foi acompanhada musicalmente por verdadeiros mestres: Pixinguinha, Benedito Lacerda, Rogério Guimarães, Josué de Barros, Luperce Miranda, Laurindo de Almeida, Luiz Americano, Garoto, e ritmistas como os seis rapazes de ouro que compunham o Bando da Lua. Ao todo foram 281 músicas, sendo duas pela Brunswick, 150 pela RCA Victor e 129 pela Odeon. Nenhum artista, antes e depois de Carmen, teve em tão pouco tempo uma produção musical tão expressiva.

Diante disso, logo o Brasil ficaria pequeno para Carmen Miranda.

Em 1939, nos dias que antecederam o carnaval de 1939, quando se apresentava no Cassino da Urca, estilizada de “baiana”, e acompanhada pelo Bando da Lua, Carmen Miranda chamou a atenção do norte-americano Lee Schubert, um milionário produtor teatral que administrava mais da metade dos teatros da Broadway, sendo ao todo mais de cem teatros nos Estados Unidos. Assediada, Carmen, porém, fiel à sua brasilidade, não concordou em se transferir sozinha para a América do Norte. Fazia questão de levar consigo o brasileiríssimo grupo Bando da Lua, seis rapazes que acompanhavam a artista no Cassino. O ricaço, porém, não compreendia tal necessidade, já que nos Estados Unidos havia milhares de músicos profissionais, 14 mil deles desempregados. Todavia, Carmen sabia que sem os músicos brasileiros a sua arte não teria o mesmo brilho e o samba em terras estrangeiras corria risco de se transformar em rumba ou outro ritmo caribenho, levando-a ao fracasso.

 Após gestões junto a Alzira Vargas, foi então em 4 de maio de 1939, Carmen Miranda e o Bando da Lua puderam seguir rumo ao sucesso na Broadway e em seguida a Hollywood, onde mostrariam aos gringos não só “o que a baiana tem”, mas o que os artistas brasileiros tinham (e têm) de melhor, encarnando a nossa brasilidade como ninguém até hoje fez. Iniciava aí a segunda (e exitosa) fase da carreira de Carmen, agora, além de cantora, também atriz cômica, consolidando-se com a maior divulgadora da música brasileira.

Houve, porém, outro problema que muito magoou a artista.

Embora a exótica “baiana” tenha agradado aos norte-americanos, Carmen despertou polêmica entre os brasileiros, ao apresentar-se com suas vestes estilizadas e o bizarro arranjo de frutas tropicais que carregava sobre a cabeça – marcas definitivas de sua imagem. Com isso, Carmen Miranda acabaria por expor ao mundo uma visão caricata e estereotipada do Brasil, chegando a ser, por isso, hostilizada pela intelectualidade brasileira, pois ela mostrava a imagem da mulher sul-americana associada a frutas tropicais, o que reforçava o preconceito dos ianques, que tratavam os países da América do Sul como “repúblicas de bananas”. Essa imagem se tornou a personificação de um exotismo latino-americano genérico, que foi abraçado como singular e peculiar pelo público dos EUA, mas rejeitado como inautêntico por intelectuais brasileiros.

Não era nenhum favor o interesse do magnata estadunidense pela brasileira. Enquanto esteve presa por contrato exclusivo a Lee Schubert, este lhe exigia cinquenta por cento de toda a sua renda em shows e noutros compromissos. Quando a Fox se interessou por ela, Schubert vendeu o contrato por uma fortuna. Ainda assim, logo Carmen compraria uma casa em Beverly Hills, enviando também quarenta mil dólares para a família. Mandou buscar a mãe, dona Maria, para lhe fazer companhia na Califórnia.  

Mas toda a glamourização, o êxito artístico, a fama e o dinheiro findam por cobrar seu preço. Como dizia o chorinho cantado pela própria artista, “tudo o que é bom, um dia há de acabar”. E a alegria, fruto da espontaneidade, foi aos poucos no espírito da artista cedendo lugar exclusivamente às obrigações públicas, compromisso excessivos que – somados à saudade do Brasil – trouxeram à artista a tensão, a estafa, o desânimo, a infelicidade.

Em 1952, Carmen e sua equipe fizeram uma excursão à Europa. Somente na Itália Carmen apresentou-se em catorze cidades no período de um mês. Viagens de trem, esperas nas estações, recepções, entrevistas e homenagens, restando pouquíssimo tempo para descanso; nenhuma oportunidade de conhecer a Europa em passeio a museus, catedrais, andar de gôndolas… Carmen, acusada injustamente de não se interessar pela cultura, não tinha disposição para mais nada. Para entrar nos palcos e desempenhar o trabalho que exigia de si mesma, a artista precisava recorrer a anfetaminas – e em intervalos de tempo cada vez menores. Em Helsinque, num almoço oferecido pela embaixada brasileira, Carmen embriagou-se ao ponto de ao despedir-se da embaixatriz, abraçando-a, levá-la consigo ao chão – um vexame sem precedentes.

Do livro de Abel Cardoso Júnior:

“Não paro de trabalhar há catorze anos. Minha vida tem sido uma correria dos diabos. No ano passado estive na Itália. Desde que voltei aos Estados Unidos, depois de viagem à Europa, não pude parar, trabalhei demais. Fiquei doente por isso.”

Carmen era infeliz no casamento com David Sebastian – e disso, sob efeito das primeiras doses de uísque, não fazia segredo a ninguém. Por qualquer coisa, embriagava-se e, em instantes, ia do riso às lágrimas com facilidade. Seu casamento com o norte-americano se deu em 1947. Antes disso, Sebastian era um simples auxiliar de produção, enquanto Carmen era artista consagrada, uma das mais bem pagas de Hollywood; mas, com o casamento, Sebastian foi promovido a um voraz e insaciável agente de Carmen Miranda. Ele próprio era também alcoólatra e costumava humilhar a esposa, levando-a enveredar em direção ao traiçoeiro refúgio no álcool. Esgotada pela exaustiva agenda de compromissos contratuais que Sebastian lhe impunha, Carmen não demorou a usar barbitúricos e outros “remédios”.

Com César Romero

O coração de Carmen parou na manhã de 5 de agosto de 1955, aos 46 anos. O Brasil perdia sua maior estrela. Sua voz e sua imagem sorridente, porém, registradas em disco e em filmes com alegres interpretações musicais, coreográficas e teatrais, ficaram para nós como um inigualável legado dessa luso-brasileira, que foi, numérica e qualitativamente, o maior nome musical brasileiro de todos os tempos.

Fontes:

1) CASTRO, Ruy. Carmen: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

2) JUNIOR, Abel Cardoso. Carmen Miranda: a cantora do Brasil. São Paulo: Helvética, 1978.

L.s.N.S.J.C.!

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NOSSO ipê florido e belo!

UMA das raras vantagens do inverno, além do chocolate quente e do fogão à lenha, é a bela vista de uma árvore florida. Na vida já plantei muitas árvores. Algumas, porém, não vingaram. Ao nos mudarmos para este bairro – e já se vão sete anos -, decidimos plantar essas três árvores, duas delas próprias da região Sul com suas estações bem definidas: verão, outono, inverno e primavera. Esses dois pinheiros longilíneos são belos e, ao longe, já indicam o encanto e a quietude de nosso aconchegante lar (doce lar). Mas a árvore que verdadeiramente nos encanta é o ipê amarelo, que não é próprio desta região mas que a ela se adapta perfeitamente.

Tardio ou precoce – como este humilde blogueiro – esse lindo ipê, ansioso como eu, não consegue esperar o setembro primaveril, quando é a época das flores; insiste em exibir a sua belíssima e vistosa florida ainda em agosto, quando ainda inverno. Talvez queira distinguir-se, vaidoso como também é o dono, dos demais que ainda estão desfolhados.

Uma bela criação divina!

L.s.N.S.J.C.!

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WALTER Pinto e 1932!

ACABEI de ler 1932 A Revolução Constitucionalista no Baixo Amazonas, excelente livro de Walter Pinto de Oliveira, nosso amigo virtual de Facebook.

“1932”, obra de Walter Pinto de Oliveira, que se ombreia a outras excelentes obras de nossa história do século 20

A pena magistral de Walter Pinto nos revela o desconhecido levante acontecido em 1932 no 4º Grupo de Artilharia da Costa, quartel do Exército Brasileiro sediado em Óbidos, Pará. Era a época da Revolução Constitucionalista, movimento armado que o Estado de São Paulo perpetrou contra o governo federal de Getúlio Vargas, e que tinha como bandeira uma nova constituição brasileira.

Poucos sabem que a luta dos paulistas buscou também envolver outros estados da federação. O Pará foi um deles. Por que poucos sabem? É aí que entra o autor que, além de contar a história com detalhes buscados nos arquivos da época, também nos traz o contraponto e a razão de o episódio ter sido varrido para baixo do tapete da história: Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, o interventor federal de então.

As refregas não foram moles. É interessante saber que o povo de Óbidos já havia sofrido outra experiência traumática: a Revolução de 1924, em que o tenente Magalhães Barata foi um dos protagonistas. Derrotado o movimento, Barata acabou preso. Seis anos depois, porém, sobrevém a Revolução de 1930, ou a Revolução de Outubro, como prefere o autor. Barata assume como interventor.

São Paulo, não assimilando a derrota, pega em armas. Era preciso que as tropas federais ficassem ocupadas em seus respectivos estados de origem, não reforçando os contingentes militares em luta na Revolução de 1932. Essa é uma das razões que ensejaram o levante em Óbidos, localidade estratégica por situar-se no ponto mais estreito do Amazonas entre duas capitais amazônicas: Manaus e Belém. Tomando o quartel, ficava fácil controlar as embarcações em trânsito entre uma cidade e outra, controlando tropas, cidadãos e bens.

Vejam que o autor também, além das causas e consequências e da luta em si mesma, também um pensamento que se chama imaginário social, teorizado pelo polonês Bronislaw Baczko. Com efeito, o que se seguiu foi a tentativa de um silenciamento dos vencidos, prevalecendo a versão dos vencedores. Nessa esteira, os primeiros foram demonizados enquanto estes últimos, os vencedores, passaram a ser endeusados, numa distorção dos fatos.

Dona Raimunda Corrêa, falecida professora primária que foi minha sogra, contava-nos que qualquer pequeno comerciante que não manifestasse apoio a Barata sofria com barbaridade policial, que punha tudo a baixo. Portanto, a ameaça do interventor de fazer de Óbidos um “porto de lenha” faz todo o sentido. Barata era populista, mas um populista no sentido negativo da palavra em que a violência imperava contra seus opositores.

Duas razões podemos indicar para o fracasso da revolta de Óbidos: uma, a ostensiva presença do tal coronel Pompa, chamando a atenção para as autoridades e população locais; outra, a ação providencial de Leônidas Gomes, agente sanitário, que remou durante dezoito horas para chegar a Santarém e alertar o prefeito local.

Como interesse pessoal, descobri vários pontos relativos à carreira militar que até então eu desconhecia. Os praças da época não tinham estabilidade – essa é uma delas. Outra: não havia a graduação intermediária de subtenente. Outros aspectos, como o sistema de promoções adotado pelo Exército e a reinclusão de militares anistiados foram pontos de discórdia também explorados por Pompa, o enviado da Revolução para rebelar o quartel de Óbidos. Aliás, também odiavam os oficiais – coisa também não incomum na caserna.

Um excelente livro que conta uma interessante história que o baratismo quis de nós esconder.

L.s.N.S.J.C.!

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APRESENTADO em 4 de julho!

FAZ hoje exatamente vinte anos que retornei à Base Aérea de Belém, após um estágio de três meses em Belo Horizonte. Ninguém soube, mas eu me atrasei em um dia. Era para eu ter chegado no dia anterior, 3 de julho. Ocorreu, no entanto, um sério contratempo que me fez adiar por 24 horas a data oficial de apresentação ao comandante da Unidade militar.

Eu estava em Brasília fazia seis anos.

Formei-me em 16 de maio. Nesta foto, este blogueiro e o sr. Manoel Valentim, meu pai, descerramos a placa alusiva à turma de novos oficiais.

Do mês de maio para junho de 2001 ocorreu um apagão financeiro nos sistemas do Comando da Aeronáutica, de forma que qualquer pagamento extra (não contando o pagamento dos vencimentos normais) teve que ser postergado até que voltasse o sistema à normalidade. Assim, as organizações pagadores da Aeronáutica somente dispunham da reserva correspondente aos descontos internos, sendo que por doutrina cada tesouraria tinha de dispor ao menos do quantitativo financeiro para fazer frente as emergências de pessoal como auxílio funeral. O meu caso – movimentação – não se enquadrava como emergência ou urgência.

Nesse mês de maio ocorreu a minha formatura no CIAAR, com a minha classificação em Belém. Precisava de dinheiro para custear a mudança, devendo pagar a primeira parcela para a Transportadora Granero. Além disso, também precisava comprar passagens aéreas. Fui ao gestor de finanças, um tenente-coronel intendente, e este me tratou muito mal.

E agora, o que fazer?

Disse-me um amigo que ele é um cara sortudo e azarado ao mesmo tempo. Eu também sou. O sistema, ao que eu soubesse, até então nunca havia experimentado uma situação como aquela. E foi ocorrer justamente na época de minha movimentação. Já havia sido desligado da Unidade anterior, de forma que já se contavam os dias para a minha chegada em Belém.

Já não sabia como fazer para me apresentar na unidade de destino.

Ocorre que na mesma Organização pagadora (que era o Sexto Comando Aéreo Regional – VI COMAR) servia também um tenente-coronel intendente que eu conhecia desde que ele era tenente, em Anápolis. Era o tenente-coronel Monteiro, bem mais antigo hierarquicamente que o outro tenente-coronel, o tal gestor de finanças que se negou a me atender. Contando-lhe o meu drama, ele mandou alguém providenciar um documento, a gente na FAB chama de “cautela”, que nada mais é do que uma autorização de adiantamento financeiro. Ele exercia um cargo de fiscalização, que chamamos de Agente de Controle Interno, e após ter assinado a “cautela”, levou o documento para a autorização do comandante da Unidade, que era um major-brigadeiro.

Certamente o gestor de finanças não ficou nada satisfeito, mas como em quartel manda quem pode e obedece quem tem juízo, ele acabou atendendo ao documento assinado por esse outro oficial, que se mostrou compreensivo para comigo. Até porque estava lá a ordem do brigadeiro, e ele teve que engolir esse sapo.

Azar por ter ocorrido uma falha no sistema justamente na minha época de ser movimentado, nem um mês antes, nem um mês depois; boa sorte por ter reencontrado um oficial que era gente boa, fato raro na caserna.

Quando o caminhão da empresa finalmente chegou à minha casa para fazer a mudança, a data para a minha apresentação já se encontrava prestes a vencer. Foi o tempo de comprar passagens aéreas e, tendo chegado a Belém já no dia 3 de julho, somente pude me apresentar na manhã do dia seguinte, 4 de julho. Atrasei-me um dia, porém, por experiência, sabia que esse atraso não seria notado pelo setor de recursos humanos. Foi o que aconteceu.

Noutras épocas de movimentação, sempre algo ocorria. Mas, para não alongar mais este texto, esses outros contratempos deixo para contar outra vez.

O fato é que cheguei em 4 de julho, e isto faz hoje exatamente vinte anos.

L.s.N.S.J.C.!