FORÇAS ARMADAS são a instituição mais confiável para os brasileiros, aponta FGV

AS FORÇAS ARMADAS são a instituição mais confiável aos olhos da população brasileira. Esse é o resultado da pesquisa divulgada recentemente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que avaliou o índice de confiança do 4º trimestre de 2011. Em primeiro lugar com 72% na preferência dos entrevistados, a instituição ficou à frente da Igreja Católica (58%) e do Ministério Público (51%).

O levantamento realizado pela Escola de Direito da FGV de São Paulo ouviu 1550 pessoas de diferentes Estados, como Rio de janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo e do Distrito Federal. A coleta de dados ocorreu entre os meses de outubro e dezembro de 2011.

O prestígio das Forças Armadas também pôde ser medido pelo estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre a percepção da população em geral acerca da Defesa Nacional. O levantamento, divulgado em janeiro deste ano, foi realizado com 3796 entrevistados em todo o Brasil. As 30 questões da pesquisa, estruturadas em torno de quatro eixos temáticos, abordavam itens como percepção de ameaças; percepção sobre a Defesa Nacional e as Forças Armadas;  poder militar do Brasil e inserção internacional; e a relação entre as Forças Armadas e sociedade.

A pesquisa do IPEA mostra que a população do Norte do país, com 55%, é a mais confiante nas Forças Armadas (Totalmente/muito). Em segundo lugar está a região Sul (50,4%) e em terceiro a Nordeste (50,1%). O levantamento também evidencia que a confiança da instituição é mais elevada entre os mais idosos. Os entrevistados com mais de 64 anos (58,1%) são os que mais confiam (Totalmente/Muito) nas Forças Armadas. Entre os jovens, na faixa-etária entre 18 e 24 anos, este índice é de 46,9%.

No quesito da importância das Forças Armadas, na avaliação regional, 90,7% da população do Norte do país ressaltou a importância das Forças Armadas tanto no caso de uma guerra como na ausência de um conflito bélico. Com relação à percepção sobre o trabalho realizado pelas Forças Armadas, 68,3% dos brasileiros acham “muito bom” o trabalho da instituição.

A pesquisa do IPEA concluiu que a maior parte dos entrevistados confia nas Forças Armadas, apóia as suas atividades e considera que elas têm uma função importante no País. Esta posição esteve presente em todas as regiões do Brasil e foi compartilhada por entrevistados de ambos os sexos, de diferentes faixas etárias, e com diferentes níveis de escolaridade. (fonte: Comando da Aeronáutica)

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!  

FAB leva ajuda para desabrigados no Acre

UMA aeronave C-105 Amazonas da Força Aérea Brasileira (FAB) decola, no final da tarde desta sexta-feira (17/02), de Brasília para o Acre com 31 bombeiros especialistas em atendimentos pré-hospitalares e em busca e salvamento do Grupamento de Busca e Salvamento da Força Nacional. Segundo a Defesa Civil do estado, a cheia do rio Acre atingiu 20 mil pessoas e danificou seis mil casas na capital Rio Branco.

O transporte que também inclui barracas, equipamentos e remédios será feito pelo Primeiro Esquadrão do Décimo Quinto Grupo de Aviação, o Esquadrão Onça (1º/15º GAV). O pedido de ajuda foi feito pelo governador do Acre, Sebastião Afonso Viana, ao Ministério da Justiça. (fonte: Comando da Aeronáutica)

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

Fonte: Agência Força Aérea

HISTÓRIA de luta: o pior estava por vir

Capítulo 13, continuação da postagem anterior.

ACORDEI num leito de hospital, com o braço ligado a um frasco de soro. Foi quando fiquei sabendo que estava hospedado ali devido à ingestão excessiva de bebida alcoólica, traduzindo, tomei um tremendo porre; o aluno de dia chamou a ambulância; isso explica o som de sirene ouvido. Como consequência da embriaguez, caí da cama e  rolei para baixo da mesma;  aquela escuridão sugeriu um caixão, onde fora posto ainda vivo. Dias antes havia visto na tevê o ocorreu ao ator Sérgio Cardoso, cinco anos antes, que estaria revirado no caixão quando resolveram reabrir o ataúde por suspeita de que teria sido enterrado com vida. Foi um pesadelo simplesmente horrível.
Recebi a visita do Martinelli, que assim demonstrava ser um amigo de todas as horas. O capelão também foi me visitar, aproveitando para dar-me alguns conselhos. Jamais me esqueceria disso.
Chegava o dia da prova de Matemática
O plano de usar o sábado e o domingo para estudar Matemática tinha ido por terra. E naquele estado em que encontrava nada eu podia fazer, a não ser torcer para me darem alta a tempo de me integrar à rotina de segunda-feira, e depois aguentar a zoação da turma. E olha que a zoação da turma ainda estaria de bom tamanho comparada ao sentimento de culpa que me atormentava a cabeça pelo fiasco. Grande mico; micaço. Mas o pior ainda estava por vir.
Chegara, finalmente, o dia ‘D’.  O friozinho na barriga, comum a qualquer prova, devido ao desconhecido, parecia nessa ocasião mui especial multiplicar-se – para usar uma expressão matemática numa espécie de homenagem irônica à matéria cujo primeiro teste naquela manhã aconteceria. O pesadelo da madrugada de sexta para o sábado apresentava-se a mim, naqueles instantes que antecediam à prova de Matemática, como um inofensivo gatinho frente a um imenso e faminto tigre, que eu não tinha outra saída senão enfrentá-lo.
Ora, convenhamos, o sábado e o domingo anterior, ainda que fossem plenamente aproveitados para a Matemática, mesmo assim resultariam insuficientes para deixar-me minimamente preparado e confiante para aquela batalha fatídica. Agora era tarde; por imprudência ou falta de experiência de vida, deixei tudo para o tal fim de semana, quando o Martinelli iria me dar uma força na Álgebra e na Geometria. Os sábados e domingos anteriores, as cepadas no campo de futebol, no cassino, na capela, na cama antes de dormir, também não me davam  segurança para alcançar, pelo menos, a nota mínima. Agora, nenhum tempo mais me restava ao não ser encarar o tigrão.
Confiança! – Animava-me o Martinelli. – Força, Quinze! – Dizia-me o Brito Dias.
Agradecia aos amigos pelo ânimo.
O sargento dava as orientações prévias, como de praxe, dizendo as palavras que já conhecíamos. A prova estava ali, na carteira, de costas para mim. À ordem do fiscal, viraria o teste e só então poderia começar a resolução do mesmo.
Começaria resolver primeiro as questões fáceis, para depois tentar resolver as difíceis.  Numa primeira vista, tive a impressão de que o tigre não era assim tão brabo como temia.
Continuei a ler as questões e, infelizmente, a impressão de que não eram difíceis foi apenas impressão. Somente na oitava questão, que era de Geometria, me animei a resolvê-la; a nona, também resolvi. Das trinta questões eu me garantiria com dezoito, mas, correndo daqui e dali, segurança mesmo tinha somente em dez, talvez onze. Era muito pouco. Tinha de resolver mais sete, pelo menos, o que me daria a nota seis. Não, eu não poderia entregar a prova com somente onze questões respondidas.
Voltei às sete primeiras questões deixadas em branco, na esperança de achar resposta para três ou quatro delas. Era possível que sim; consultando o relógio que estava à parede, constatei que ainda faltavam vinte minutos para o término da prova, findo os quais, mais cinco para o preenchimento do formulário de respostas. As questões estavam complicadas e não me animava nem ao menos eliminar duas de quatro, pois com duas que restassem ficaria mais fácil assinalar a verdadeira. Tentei a tática de aplicar as respostas ao problema, invertendo a resolução. Aí teria de contar com a boa sorte, pois se a resposta certa fosse a ‘A’ ou a ‘B’, ganharia tempo. A primeira questão estava fora de alcance, a não ser que desse muita largura no chute, pois nem a fórmula do problema eu lembrava. Decididamente, não era um bom chutador. Fui à segunda, e nessa eu sabia da fórmula, mas me embatuquei no meio da operação com a troca de um sinal, não lembrando se era negativo ou positivo. Então, fui à resolução inversa, explorando a alternativa ‘A’ para ver se dava no problema proposto no enunciado da questão 2. Não era a ‘A’, então bem que poderia ser a ‘B’. Também não era essa. Olhei à parede e o ponteiro grande corria, era o tempo que conspirava contra o aluno despreparado. Aumentava-me a transpiração e o coração me parecia bater mais forte.  A resposta ‘C’ daquela questão encaixou bem, mas não lucrei muito porque, por questão de eliminação, em caso de não ser esta a correta, somente restaria a ‘D’; também perdi muito tempo aí. Agora iria à seguinte, que resolvi pular, passando à quarta questão. Nessa tive melhor sorte, pois a ‘A’ encaixava-se plenamente à problemática enunciada. Legal, fui à próxima, que tratava de calcular a área de duas circunferências inscritas numa terceira, ou melhor, tinha de calcular a diferença de área das duas circunferências em relação à terceira, a maior delas, e envolvi muitos cálculos. Muito complicado, pulei, mas aí perdi bastante tempo até chegar à conclusão de que não dava. Que droga! Porque não passei direto à questão seguinte? Faltavam somente dois minutos e o sargento me tomaria a prova; estavam na sala somente eu e mais um outro aluno. Fui então pelas probabilidades, fazendo uma continha rápida; das respondidas com segurança – quinze – seis delas a alternativa certa era ‘C’, depois a ‘A’, que aparecia em quatro questões,  a ‘B’ também em quatro questões, e ‘D’ em apenas uma questão. Era grande, pois, a tentação de chutar simplesmente a alternativa ‘D’ na maioria das questões remanescentes, de sorte que, pela lei da lógica, haveria ainda mais umas cinco ou seis letras ‘D’ como resposta nessas questões. O meu raciocínio era simples: se eram quatro alternativas, e o número total de questões era trinta, então logicamente dava uma média de 7 e meio entre elas. Estavam certamente distribuídas de forma que exisitiram naquela prova sete ou oito ‘A’, das quais eu já tinha achado quatro; oito ou sete ‘B’, das quais quatro eu tinha certeza; sete ou oito ‘C’, das quais seis já estavam encontradas; e oito, sete ou seis ‘D’, das quais somente uma eu havia encontrado entre as quinze questões respondidas com segurança.  Consequentemente, decidi, sob risco calculado, atribuir a alternativa ‘D’ como resposta de quatro questões. Que fosse o que Deus quisesse.
Preenchi cuidadosamente o formulário de respostas e chamei o sargento.
Continua… 

DEVEMOS aprender a viver juntos como irmãos ou perecer juntos como tolos.” Martin L. King
“AMAI-VOS uns aos outros como eu vos tenho amado.”
(BLOGUE do Valentim em 23set.2011)

EQUIPE médica do Campo de Provas Brigadeiro Velloso (Cachimbo – PA) realiza parto

CAMPO de Provas Brigadeiro Velloso, sul do Pará (Serra do Cachimbo).

É tarde de domingo (22jan.) quando um carro para no portão da unidade da Força Aérea Brasileira (FAB) e pede ajuda. A jovem Deise Aparecida Pontes Carrial, 19 anos, estava em trabalho de parto. O marido dela, Gissi James da Silva, 31 anos, vinha da cidade de Moraes Almeida (PA), com destino a Guarantã do Norte (MT), em busca de ajuda.

Uma equipe médica do Campo de Provas Brigadeiro Velloso realizou o atendimento. O Aspirante Médico Carlos Magno dos Reis e o 3º Sargento Edílson Francisco da Rocha Carvalho fizeram o parto do pequeno Nicolas. (fonte: Comando da Aeronáutica)

Servi de meados de 1997 a 2000 no CPBV, Cachimbo – PA.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

PARCERIA permite a realização de feira de produtos regionais em Manaus

Feira do Produtor

FRUTAS,  hortaliças, legumes e carnes, tudo com preço mais em conta. Essa é a realidade a partir de agora para a população da zona sul de Manaus, inclusive para os militares  que trabalham na capital do Estado. O Sétimo Comando Aéreo Regional (VII COMAR), por meio de convênio firmado com o Governo do Estado do Amazonas, cedeu uma área para a inauguração da Feira de Economia Feminista e Solidária de Produtos Regionais, aberta ao público geral. A primeira aconteceu no dia 4 de fevereiro.

O projeto, apoiado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, é operacionalizado pela Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS) em parceria com o Sétimo Comando Aéreo Regional e a Prefeitura de Aeronáutica de Manaus (PAMN). A feira é realizada quinzenalmente, aos sábados, no pátio de estacionamento do Cassino dos Suboficiais e Sargentos da Aeronáutica em Manaus (CASSAM), a partir das 6 horas da manhã, com calendário definido até o mês de julho de 2012 e possibilidade de passar para a frequência semanal.

A feira possui uma área de 1.100 metros quadrados que abrigam 100 expositores/produtores de hortifrutigranjeiros, laticínios, carnes e peixes, entre associações, cooperativas e produtores individuais da cidade de Manaus e de 15 municípios do interior do Estado do Amazonas, além de artesanato indígena. Esta ação irá beneficiar 3.400 militares, bem como a população de Manaus. O evento inaugural foi prestigiado por cerca de 3.700 pessoas, segundo estatística da ADS.

Para o Sargento Gilson Nascimento de Paula, morador da Vila Militar Ajuricaba, é uma boa oportunidade para a população de Manaus ter acesso a bons produtos com preço justo, em local organizado e limpo, e ainda ser próximo da Vila. Na opinião da senhora Consuelo, moradora do Bairro Chapada, a organização da feira e o custo-benefício dos produtos fizeram com que ela pretenda frequentar sempre. O senhor Carlos, produtor de hortaliças e legumes no município de Iranduba, achou excelente a iniciativa, que proporciona ao homem do campo o aumento da renda familiar e torna o escoamento da produção mais organizado.

“Para mim, é uma honra e um privilégio poder presenciar este momento histórico, que hoje desencadeia uma nova fase na vida da comunidade Aeronáutica e da população de Manaus”, disse o Major Brigadeiro do Ar Nilson Soilet Carminati, Comandante do VII COMAR. (fonte: Comando da Aeronáutica)

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

HISTÓRIA de luta: mais um final de semana

Capítulo 12, continuação da postagem anterior.
É MAIS uma sexta-feira no Ceá. Dois mil alunos, mais uma vez, ali em forma naquela tarde nebulosa que ameaçava uma chuva torrencial para talvez meia-hora ou menos, trajavam o impecável quinto uniforme para a tradicional revista, leituras e avisos diversos.
Enquanto os sargentos e comandantes de esquadrão faziam a revista de uniforme dos seus  respectivos comandados, o adjunto ao Ceá chamava a atenção de um dos alunos, que se mexia: ‘Não se mexe, guri!!!
Feita a leitura do boletim e dados os avisos e recomendações de praxe, o adjunto ao Ceá, capitão Nunes Reis, fez uso do microfone.
Atenção, corrrrpo de alunos! – Começou o gordo adjunto com seu vozeirão de cantor de rádio, fazendo destacar os erres. Falava dos atos de indisciplina ocorridos no Cea durante a semana, destacando o caso de um aluno que informou ao anotante um número inexistente, na tentativa de livrar-se da punição certa. Não adiantou nada, pois foi reconhecido, para o agravamento da sua situação. – Isso é falta de hombridade!!! Não podemos admitir tamanha falta de hombridade num futuro sargento da Aeronáutica, alguém que vai fazer a manutenção de uma aeronave, alguém que vai escriturar o nosso pagamento, alguém que vai cuidar dos nossos doentes, alguém que vai controlar nosso tráfego aéreo… Como vamos confiar num profissional assim! – continuava o sapão, naquele sermão interminável, que prolongava por mais tempo a permanência incômoda de todos ali no grande pátio.
Mandou ler a sentença ao aluno sem hombridade, cabendo-lhe a pena de vinte dias de detenção, ficando pela bola sete, ou seja, qualquer pentelésimo de punição a mais e seria desligado por indisciplina. Finalmente, dado o fora-de-forma, os de São Paulo e Rio de Janeiro, em sua grande maioria, seguiram para a alameda onde já aguardavam estacionados os respectivos ônibus, fretados pela Sociedade dos Alunos; os demais, de origens diversas, uns dirigindo-se ao ponto de ônibus para pegar o Pássaro Marrom com destino a Guaratinguetá, alguns outros indo para o cassino ler, ver televisão, jogar um dominó ou praticar tênis de mesa, outros simplesmente tornando ao seu alojamento para descansar.
Ônibus fretados para Rio de Janeiro e São Paulo aguardavam estacionados
Em geral, todos os do Rio de Janeiro, mesmo que não da capital, viajavam para ficar ao seio de seus familiares, exceto naturalmente os que tinham algum impedimento, como os escalados de serviço na sexta-feira, no sábado e no domingo, ou os que  tinham punição disciplinar a cumprir.
Entretanto havia uma honrosa exceção: um carioca ou fluminense que jamais viajava, preferindo invariavelmente permanecer na tranquilidade em que se transformava o Ceá nos fins de semana. Pontes, do Estado do Rio, não me lembrando agora de qual cidade, jamais viajava para rever seus familiares, a não ser na época de férias escolares, e assim mesmo, provavelmente, a contra-gosto. O padre, como era chamado por alguns, tampouco ia à cidade, permanecia na Escola com uma inseparável apostila nas mãos. Sujeito tímido, pouca conversa, com óculos fundo de garrafa vivia sempre às carreiras, mesmo quando não estava atrasado. Inseguro, inseguro não, eu diria que o Padre vivia sempre em pânico, temendo sempre a guilhotina do desligamento, daí agarrar-se firmemente aos estudos. Foi por causa dessas características tão peculiares, no conjunto da obra, que alguns alunos lhe deram o apelido de ‘Seu padre’. O Almeida Silva, que era um gaiato, não perdia oportunidade de zoar com o pobre do Pontes:
– Seu Padre, vamos à cidade, Seu Padre! Gastar esses quinhentos cruzeiros de adiantamento.
– Não dá.
– Seu Padre, vamos à cidade pegar gente, Seu Padre!
– … (Pontes dava um sorriso amarelo de timidez) Tenho de estudar Matemática.
– Mas Seu Padre, vai dizer que aquele triângulo isósceles não tem tudo a ver com Matemática.
É claro que Almeida não falou exatamente com essas palavras, tendo ido direto às palavras mais chulas e bastante conhecidas de todos. Esse era o Almeida Silva, sempre com suas tiradas de ocasião, o meu vizinho de armário, algumas bem bobinhas. Quase todo dia ele tinha alguma brincadeira:
– Quinze Setequatro, porque a terra é virgem? – E antes que eu respondesse, ele mesmo completava – Porque a minhoca é mole. – E dava uma gargalhada.
– Quinze Setequatro, porque a floresta é virgem?
– Porque a minhoca é mole. – respondi dessa outra vez.
– Errado. Porque o vento é fresco.
Outra vez Almeida me deixava embaraçado.
– Quinze Setequatro, o que é que a mulher dá pra qualquer outro mas não pode dá pro marido?
– … (dei uma risada) Sei lá!
– O afilhado. Já tava pensando bobagem, né Quinze.
Dessa vez Pontes tinha razão. Na semana seguinte era a vez da terrível Matemática, que para alguns era a melhor matéria, para mim e para outros igualmente de base frágil nessa ciência, como o amigo Pontes, era um bicho-de-sete-cabeças. Ainda assim, contrariando o bom senso, teimosamente resolvi sair naquela sexta. A minha estratégia era a de sempre, saindo na sexta e deixando o sábado e o domingo para os estudos. Sim, é o que eu faria; afinal, não era de ferro. Tomei o Pássaro Marrom.
Uma vez na cidade, depois de passar lá na loja do Romero Dias para a por o paisano, dei algumas voltas sem rumo, passando obrigatoriamente pela errepeeme na esperança de ver a Maria do Ceá, e quando dei por mim estava já escuro, talvez oito da noite. A chuva que antes ameaçava um terrível aguaceiro, rumou em direção a Lorena ou alguma outra cidade próxima,
resolvendo quebrar o galho dos alunos. Ia pela rua do bar da portuguesa, quando vi uma turma, o Brito Souza, o Formoso e mais uns três, que me acenaram; entrei. Crédito à vontade, e o findu era a senha da casa, o que fazia do estabelecimento o campeão de audiência do Ceá. E desce uma cerveja, depois mais outra…
Lá pelas tantas não sei como retornei à Escola, chegando à nona esquadrilha depois do toque de silêncio. Deitei de quinto e tudo. Deus ajuda os inocentes, as crianças, os loucos e os bêbados.
As pessoas iam chegando aos poucos, alguns por piedade sincera, outros por mera curiosidade ou uma espécie de obrigação. Primeiro os alunos,  depois os sargentos e os comandantes, e, por último, os familiares e o padre. Orações, lamentos, choros; chegou mais tarde o Caveirinha, que comandava a salva de tiros. O corneteiro tocava algo fúnebre, que fazia descer as lágrimas de quatro ou cinco mulheres. Abri os olhos e nada via, estava escuro, somente ouvia, mas podia visualizar por meio das vozes aquelas pessoas em volta de um caixão. Reconheci-me naquele defunto. Não, eu não podia estar morto. Mas todos achavam que eu tinha morrido. Não! Não! Me tirem daqui. Eu não morri, seus putos! Me tirem dessa escuridão! Não me enterrem vivo, esperem eu morrer primeiro!!! Não tenho nem dezoito anos! – Gritava assim, batendo desesperadamente na tampa do caixão, que na verdade era a lona do beliche, acordando a todos no alojamento. Ouvia ao longe o som de uma sirene, e de repente as pessoas em meu redor estavam de branco. Estaria no céu?
Continua… 

A LIBERDADE para avançar a oportunidades novas e produzir resultados vem de viver no presente, não no passado.” Brian Koslow
“AMAI-VOS uns aos outros como eu vos tenho amado.”
(BLOGUE do Valentim, 21set.2011)