HISTÓRIA de luta: a esquadrilha da fumaça

Capítulo 16, continuação da postagem anterior.
DIFERENTE do que era até então, na minha esquadrilha o comportamento da maioria em relação a dificuldades como a minha mudou radicalmente. Até os críticos mais mordazes como o Martins, se não ajudassem,  pelo menos  guardavam silêncio, dando uma trégua nas gozações e até mesmo nas eventuais ofensas. E isso já era um sinal de mudança de comportamento, uma concordância tácita destes à maioria, que se mostrava solidária.
Não que a a maioria da turma apoiasse a gente de forma ostensiva, mas a solidariedade já se fazia visível a olhares mais atentos, sempre aparecendo uma alma boa disposta a ajudar neste ou naquele assunto. Isto não era somente comigo, era com qualquer outro colega que, por ventura, estivesse em alguma dificuldade. O mesmo se dava de mim para com outros que me procuravam com alguma dúvida em Português, área em que eu me garantia. Com relação à parte intelectual, todos procuravam se ajudar. Não havia concorrência; se todos os quinhentos alunos obtivessem as médias mínimas exigidas, todos se formariam e ninguém seria prejudicado com isso.
A competição sim, mas uma competição silenciosa; esta existia sim, é verdade. E essa competição – que é diferente da concorrência – era para ser o primeiro da turma, o ambicionado título de aluno zero-um, ou até mesmo, mais tarde, o primeiro da especialidade. Isso era estimulado pelos prêmios oferecidos como estímulo aos três primeiros colocados e pela honra de ser o porta-estandarte da Escola, esta exclusiva do zero-um. Aos primeiros no ensino especializado, a vantagem seria a possibilidade de poder escolher o local para onde iriam trabalhar quando formados, já que aos últimos pouca ou nenhuma opção seria dada, e iria para o local que lhe sobrassem. Falando em nomenclaturas, havia um nome sujo dado ao último colocado, posição em que ninguém gostaria de ficar.
Dessa forma, colei no Martinelli e em outros como o Zé Bernardi, e até mesmo o Almeida Silva. Esses caras foram formidáveis comigo e com os outros colegas, dispendendo seu precioso tempo com estes zero-a-esquerda, para usar o mesmo termo do comandante da esquadrilha. Foram muitas noites em que, contrariando meus hábitos iniciais, tive de dispensar o brochante, e até, por umas duas vezes, tivemos que avançar a madrugada, de lanterna em punho, a fim de colocarmos à força o que antes nossa mente não conseguia fixar. Devemos muito a esses caras.
Seguiram-se os demais exames teóricos e as avaliações práticas constantes da grade curricular. Vieram a nova prova de Português, em que eu errei apenas uma questão; a de Inglês, onde eu fiquei a duas questões de obter a nota máxima; as demais matérias teóricas; e a de Tebê, assunto em que voltei a vacilar. Na segunda prova de Matemática tive que jurar por tudo que é mais sagrado que não criaria fórmulas nem cálculos mirabolantes, respondendo somente as que tivesse certeza absoluta. Obtive extraordinário progresso pois a nota minha foi de 7,40. Muitos se alegraram com essa nossa vitória parcial.
O portão de entrada da Escola
Houve muitas baixas, mesmo ainda naquele nosso primeiro semestre letivo. No decorrer desse período fomos surpreendidos com um acontecimento que abalou toda a turma, e que até hoje é comentado por todos. Durante a madruga, alguns alunos notaram movimento de pessoas conversando na sacada, e, logo mais, também observaram a presença do comandante da esquadrilha, que, com um balde de cola na mão, além de papel e pincel, e com a ajuda do aluno de dia, lacrava alguns armários. Lacrou também um, ao lado do meu.
No dia seguinte, entrando a noite e também nos demais dias que se seguiram durante a semana, não se falava em outra coisa no Ceá. É que, logo pela manhã, veio a notícia bombástica: Almeida Silva e mais doze alunos foram surpreendidos em consumo de tóxico. Foram presos e seriam, mais tarde, sumariamente licenciados a bem da disciplina, um nome técnico para expulsão da Aeronáutica. Todo o Ceá, mas de maneira mais forte a nossa esquadrilha, fervilhava com os mais diversos comentários sobre o acontecimento. Era um misto de curiosidade, surpresa e abatimento.
Para alguns com certeza não foi nenhuma surpresa. Acho até que a maioria da esquadrilha, dos noventa e poucos alunos, talvez uns setenta ou mais tivessem conhecimento de que havia uma turma da pesada. Para mim, o fato marcou por duas coisas: primeiro, fiquei triste pelo Almeida Silva, meu vizinho de armário,  que foi o cara que primeiro me orientou naquele serviço de plantão inaugural em que eu nada sabia, de nada tinha sido instruído por quem de direito; era ele, apesar do problema, um grande cara; segundo, pela surpresa, pois jamais poderia imaginar tal coisa, e, a bem da verdade, pela minha quase nenhuma experiência de vida e – porque não dizer – pela ingenuidade mesmo, jamais teria essa maldade de desconfiar de alguém, nunca passaria pela minha cabeça uma coisa dessas, nem ao ponto de reconhecer uma pessoa viciada em maconha ou qualquer outra droga ilícita. Isso poderia acontecer no cinema, na tevê ou nas notícias de jornal, mas nunca a alguém do nosso meio, principalmente com alguém do armário ao lado do meu.
Disseram na ocasião que o serviço de inteligência da Aeronáutica já vinha havia muito tempo investigando a turma, que, na visão irreverente de uns, ficou conhecida como esquadrilha da fumaça. Dizem até que um sargento estava infiltrado entre eles, e era um cara barbudo e despojado, de forma que nem o mais esperto dessa turma tinha a menor desconfiança do companheiro de fumo. Outros também falavam que nos exames médicos, na coleta de sangue, já tinham detectado algo diferente, que eu, na minha juventude de quase menino, nem sabia se era possível. Um Forrest Gump, como eu, passava sempre ao largo de tais coisas, que eram avançadas demais para um rapaz ingênuo igual àquele Quinze Setequatro da década de 1970. Dou graças a Deus pela caretice, ingenuidade ou qualquer outra palavra que se dê; Ele, que protege os inocentes.
Nessa hora, após a revista de pernoite, alguém tirando sarro de alguém disse que aluno só é pobre porque quer. Lembrei de já ter ouvido aquela expressão e não somente na Escola. Sim! Claro! Agora lembro do coroa, o tal Romeiro Dias, sim, era ele quem dizia isso. Claro, agora sei de onde – ou melhor, de quem – o Almeida arranjava dinheiro para vestir-se tão bem. Liguei os fatos e daquela turma pelo menos uns quatro eu conhecia de vista, e, somente depois, é que comecei a lembrar do jeito, moderno demais, de cada um.
Pobre Almeida Silva. Sei que, no íntimo, era um cara legal; tinha um grande coração, bons sentimentos; e, como qualquer outro ser humano, também susceptível às fraquezas e vícios. Outros acontecimentos tristes, desligamento de uns, desistência de outros, eram comuns no Ceá. Mas o fato é que, até hoje, a gente se lembra desse episódio inglório.

Chega o final do semestre letivo e a expectativa é grande para ver quem foi aprovado e quem ainda tinha de fazer a recuperação em alguma matéria. Quem estava tranquilo quanto a isso, era só esperar o grande dia da liberação para as férias de final de ano, com a volta somente em fevereiro próximo. Aos poucos que não tinham ido muito bem, ainda restava a grande chance da prova final, que era uma espécie de recuperação, em que a média mínima era ainda um pouco menor; caso não se houvessem bem nesta, ainda haveria a última, a derradeira prova, e dessa vez, se não passasse o desligamento seria inevitável. Na verdade, para os alunos de ficha limpa, ou seja, aqueles que nunca tiveram nenhuma punição disciplinar, o comandante da Escola ainda poderia autorizar excepcionalmente a permanência do felizardo. Essa última condição somente ocorreria se o aluno em questão somente tivesse ficado por poucos centésimos ou pentelésimos. Não havia como repetir o semestre, por isso se davam todas essas chances.

Fiquei em Matemática, para mim nenhuma surpresa, apesar da recuperação no segundo teste. Não me abalei com isso, pois meu nível nessa matéria já estava bem acima de antes, de forma que me sentia seguro. A grande surpresa, e onde realmente pisei na bola, foi a tal de Tebê, que também fiquei para a prova final. Meu astral baixou consideravelmente em relação a essa matéria, que, apesar de chatinha, não considerava assim tão complicada. A minha agonia, portanto, prolongava-se por alguns dias a mais.

Continua… 

Acorrida não é sempre para o mais rápido, mas para aquele que continua correndo”.  Autor desconhecido
AMAI-VOS uns aos outros como eu vos tenho amado. (BLOGUE do Valentim em 28set.2011)

CADETES do 4º ano realizam primeiro voo solo do ano na Academia da Força Aérea

Cumprimentos Cel Baccarin S1 DiegoOS CADETES Aviadores Vitor Conradi Santana e Guilherme Carvalho Tacão, do 4º Ano do Curso de Formação de Oficiais Aviadores, foram os primeiros cadetes do ano de 2012 a realizar voo solo a bordo da aeronave T-27 Tucano, do 1º Esquadrão de Instrução Aérea, na Academia da Força Aérea, em Pirassununga, no interior de São Paulo.

Após as missões de simulador, pré-solo e do voo de cheque, os cadetes foram considerados aptos para voarem sozinhos. As decolagens ocorreram na tarde do dia 14 de março, por volta das 12h10 e 12h15 respectivamente. No retorno, os cadetes foram recebidos pelo Comandante do Corpo de Cadetes da Aeronáutica, Coronel-Aviador Mário Augusto Baccarin, e pelo Chefe da Divisão de Instrução de Voo da AFA, Coronel-Aviador Rubens Fernandes de Martins, pelo Comandante do 1º Esquadrão de Instrução Aérea, Major-Aviador Yuri Brauner, pela Banda de Música da AFA, além de instrutores de voo e de cadetes do 4º Esquadrão.

O momento foi comemorado com a tradicional entrega do cachecol, símbolo do voo solo, além de um banho e do toque do sino em frente ao esquadrão, em comemoração ao voo solo e pela conclusão da primeira fase do curso de instrução aérea avançada. (Fonte: Comando da Aeronáutica)

HISTÓRIA de luta: nada pode ser tão ruim que não possa piorar

Capítulo 15, continuação da postagem anterior
VOCÊ aí,  de cabeça baixa, venha aqui na frente!
Olhei rapidamente para o colega de trás.
– É você mesmo, que olhou pra trás agora!
Era comigo.  Fiquei surpreso e um pouco nervoso com a exposição repentina. Logo eu, um cara tão tímido.
– Pois não, professor.
– Fique aqui, de frente para a turma. Você será o meu exemplo de hoje. – e dirigindo-se à turma – Vejam só há pouco mais de dois meses este rapaz chegou aqui. Era bem magrinho, e vejam como está agora!
Os rapazes me olhavam. Uns com cara de riso; outros com jeito de admiração; a maioria, porém, quedava-se indiferente, já farta daquele discurso. Na minha cabeça os que tinham cara de riso é porque já sabiam da minha agonia, pois, como é do conhecimento da alunada, no Ceá o bizu corria solto.
– É assim que vocês devem ser. – continuou. – Não devem se conformar. O jovem aqui é um desses guerreiros, vitoriosos. Ele não estava conformado com o seu corpo franzino de antes, e assim decidiu que deveria ganhar mais massa muscular, como aumento da auto-estima, valorizando-se. Eu mesmo o vejo quase todos os dias  em direção à sala de musculação.
À medida que falava o mestre, eu instintivamente ia prendendo o ar de forma que a caixa toráxica se acentuava. Tinha gente lá atrás sorrindo daquela presepada, mas o fazia inconscientemente; era um gesto automático à proporção de que o professor falava; o ego inflado literalmente.  De fato, a minha chegada à Escola coincidira com a inauguração daquela sala que o mestre citava, dotada de novos e modernos equipamentos.
– Observem-no. É visível o progresso muscular deste aluno. Que ele sirva de modelo para a maioria de vocês.
Em seguida, ele mandou liberar a turma e todos foram aos seus destinos, conforme a prioridade que cada um tinha em mente.
Vejam como é irônica a vida. O mestre me apanhou num momento em que eu me achava o pior dos viventes, ali ufruindo dum ambiente do qual não me considerava merecedor, pois não me considerava à altura da grande maioria. Suas palavras me deram um ânimo suplementar, uma espécie de sobrevida, uma reserva extra de oxigênio, deixando-me ali naqueles minutos como um vitorioso, um bom exemplo a todos, de forma que as angústias ficavam de lado por algum tempo.  É verdade, quanto ao meu progresso físico, isto era notório e até, a bem da verdade, vaidosamente, olhava-me no espelho quase todos os dias admirado com os bíceps, os tríceps e outros músculos refletidos, cujos nomes eu desconhecia, e que se destacavam na minha figura. Quem te viu, quem te vê! Aquela boas-vindas do Martins, chamando-me de raquítico, mexeu com os meus brios e, para suprir tal deficiência, passei a frequentar a sala de musculação recém-inaugurada. O boi-ralado, o feijão e o brochante também ajudavam muito. Às vezes é necessário mexerem com os nossos brios, pensei depois. O fato é que aquelas palavras me alimentaram até o dia seguinte, fazendo-me esquecer um pouco do fiasco na Matemática. Desconfio até que ele fez aquilo de caso pensado, já informado do ocorrido comigo. Quem sabe alguma alma boa não lhe teria dado notícia sobre o meu problema?
Naquela mesma tarde, entre o final da instrução e o horário do jantar, estava lá na sala de musculação novamente o Quinze Setequatro em companhia de outros alunos e mesmo de alguns sargentos que eram assíduos no manejo daqueles ferros e aparelhos.
– Aí, hem Quinze?! Ganhou o dia, né?
Era o Almeida Silva, também ele um assíduo fisiculturista, que me falava. Se ele soubesse das condições deploráveis em que estava a minha cabeça minutos antes de o professor me chamar ali na frente de todos, certamente evitaria o comentário irônico.
– Sabe, Almeida. Na verdade estou passando por um problema sério. Hoje… (contei-lhe do meu drama na prova de Matemática, e depois a conversa com o sargento J. Silva e tudo o mais).
– Seja forte, Quinze. Eu, na verdade, já sabia disso. Sabe como o bizu corre rápido aqui pelo Ceá, né. Falei assim pra te levantar um pouquinho o astral.
– Obrigado.
Indíviduo enigmático esse Almeida, ambíguo seria a palavra mais adequada para defini-lo. Um cara de um físico invejável, praticava musculação durante a semana, mas fumava e nos finais de semana bebia bastante. Não levava uma vida coerente com a atividade física que praticava da segunda à quinta. No entanto, ali se mostrava um grande ser humano. Outra vez, logo que cheguei, ele me ajudou quando da minha primeira vez de aluno plantão. Quinze, quando o aluno rondante chegar, você se apresenta a ele. Diz assim: ‘aluno quinze sete quatro se apresenta, serviço sem alteração’. Diz assim e leva a mão à pala, fazendo a continência. Até hoje lembro disso. Pobre Almeida! Não há neste mundo alguém totalmente ruim que não tenha alguma virtude, tampouco um bom que não tenha defeitos e fraquezas. Não conseguiu se formar. Mas essa é outra história a ser contada em algum capítulo futuro.
Saiu o resultado. Minha nota: 3,33, uma dízima periódica simples.
– Aluno Quinze Setequatro!
– Quinze Setequatro em forma!
– O comandante da esquadrilha quer falar com você.
Era o xerife quem me informava. Corri até lá. Quando cheguei também já estavam lá mais dois companheiros.
– Tenho aqui o resultado da prova de Matemática. A nota de vocês foi simplesmente péssima. Quero dizer uma coisa a vocês: continuando assim vocês certamente serão desligados. Não é que eu queira, é porque é assim mesmo. Vocês são um zero-a-esquerda, uns Zé Ninguém. Como pode? Não estão fazendo por onde justificar o esforço que nós, que  o Governo do Brasil, a Aeronáutica, a Escola estão fazendo por vocês. Vocês sabem quanto custa a manutenção de um aluno nesta Escola?
– …
Mesmo que quiséssemos, nada conseguiríamos dizer naquele momento. O homem elevava o tom de voz a cada palavra. O pessoal do lado de fora, mesmo que não quisesse, ouvia toda a bronca, todo aquele sermão que ele nos passava.
– Vocês custam uma fortuna para a Nação. Imagine a comida, as peças de uniforme, as viaturas, a manutenção dos prédios, os professores e funcionários, os militares, o salário de toda essa gente, as apostilas, toda essa estrutura…
Senti uma lágrima descer. Olhei de soslaio para os dois meus companheiros e um deles estava vermelho e o outro suava frio.
– Agora me façam um favor: saiam da minha frente, seus inúteis!
Embora cabisbaixos, sentimo-nos aliviados por ele nos ter liberado, tamanha a tortura psicológica e moral a que nos submetera o comandante. Era como o escravo que levava cem chicotadas e agradecia ao feitor por ter dado somente oitenta.
Enquanto ele falava, pensava de mim para mim: ‘… pois bem, ele pensa que eu tô derrotado. Não tô não, vou me esforçar e vencer tudo isso, a Matemática, o Caveirinha, o boi-ralado, tudo… vou provar pra mim mesmo que não sou tão ruim assim…’
Tão logo saí, o Martinelli chamava à parte. Ofereceu-se para me orientar nos assuntos de Álgebra, pois essa na realidade era a minha maior dificuldade.
Nenhuma derrota é definitiva. É vida que segue.
Continua… 

A VIDA tem sido comparada a uma corrida, mas esta alusão se aperfeiçoa se observarmos que os mais rápidos normalmente são os menos obedientes e os mais prováveis de perderem a direção”.  Oliver Goldsmith
AMAI-VOS uns aos outros como eu vos tenho amado. (BLOGUE do Valentim, Dois Vizinhos – PR, em 27set.2011)

PRESENÇA da mulher na FAB mais que dobrou em 10 anos

DIA DA MULHER – Presença feminina na Força Aérea mais que dobrou na última década

NAS AERONAVES, pistas, hangares, escolas de formação, hospitais, controle aéreo e nas unidades administrativas, as mulheres estão cada vez mais presentes na Força Aérea Brasileira (FAB). Nos últimos 10 anos, a presença feminina nos quadros profissionais cresceu 154%. Em 2002, elas eram 3.249 e, atualmente, são 8.284 militares. Com passar dos anos, elas têm destacado, inclusive ocupando cargos de liderança e chefia, em áreas antes tipicamente masculinas.

Em 2012, completam-se 30 anos do ingresso da mulher na FAB. Nestas três décadas, as oficiais e graduadas acumularam muitas vitórias e entraram para história das Forças Armadas. Em 2003, a então Cadete-Aviadora Gisele Cristina Coelho de Oliveira foi primeira piloto militar a voar sozinha em uma aeronave da FAB no Brasil. Ela voou um planador TZ-23 do Clube de Voo a Vela da Academia da Força Aérea (AFA) – na década de 90, uma cadete-intendente já tinha voado em planador. No ano seguinte, a então Cadete-Aviadora Fernanda Göertz tornou-se a primeira pilot militar a solar um avião de instrução básica (T-25) na AFA.

Em 2008, a Tenente Márcia Regina Laffratta Cardoso tornou-se a primeira aviadora a ser declarada Piloto de Busca e Salvamento. Já em no ano de 2009, pela primeira vez, uma dupla feminina comandou uma missão. As tenentes-aviadoras Joyce de Souza Conceição e Adriana Gonçalves, do Sétimo Esquadrão de Transporte Aéreo (7º ETA), decolaram de Manaus (AM) em um C-98 Caravan em direção a Parintins (AM). Ainda em 2009, a 3º Sargento Vanessa Felix se tornou a primeira militar da Força Aérea a conquistar o brevê de paraquedista. Seu primeiro salto aconteceu na Base Aérea dos Afonsos, no Rio de Janeiro (RJ).

No ano seguinte, durante a Reunião da Aviação de Asas Rotativas, a 3º Sargento Pollyana Soares de Aredes foi a primeira mulher a atirar com uma metralhadora Minigun, de um Helicóptero H-60 Black Hawk. Ela serve no Esquadrão Harpia (7º/8º GAv), sediado em Manaus.

Já em 2011, a Tenente Carla Alexandre Borges (foto) se tornou a primeira aviadora a assumir o comando de uma aeronave de caça de primeira linha da Força Aérea, um A-1. O voo solo aconteceu na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, a Tenente Juliana Barcellos Silva, que fez parte da primeira turma de aviadoras da Academia da Força Aérea, foi a primeira mulher a atuar como instrutora de voo na AFA.

30 anos da mulher na FAB

As primeiras mulheres militares da FAB ingressaram em 1982 no Corpo Feminino da Reserva da Aeronáutica, que abrange o Quadro Feminino de Oficiais da Reserva da Aeronáutica (QFO) e o Quadro Feminino de Graduados da Reserva da Aeronáutica (QFG). As primeiras turmas foram formadas no então Centro de Instrução de Graduados da Aeronáutica, em Belo Horizonte (MG), atualmente Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR).

O ingresso de mulheres na Academia da Força Aérea no Quadro de Oficiais Intendentes foi autorizado em 1995. Oito anos depois, em 2003, a AFA recebeu as primeiras mulheres para o Curso de Formação de Oficiais Aviadores.

As mulheres puderam ingressar na Escola de Especialistas de Aeronáutica a partir de 2002. A turma Império Azul do Curso de Formação de Sargentos recebeu 287 alunos, dos quais 56 eram mulheres.Saiba Mais: Aerovisão Especial – 70 anos da FAB

Formas de ingresso na FAB

A Força Aérea oferece oportunidades para mulheres de 18 até 42 anos, de nível médio e superior. Além das especialidades militares, como aviadoras, intendentes e sargentos especialistas, as mulheres podem exercer na FAB funções como médicas, enfermeiras, professoras, jornalistas, publicitárias, assistentes sociais, psicólogas, advogadas, dentre outras especialidades.

As mulheres podem ingressar na Força Aérea através de escolas de formação de sargentos e oficiais. Todos os exames de seleção, independente da escolaridade exigida, obedecem as seguintes etapas: prova teórica – nos concursos de nível superior exige também conhecimentos especializados, exame de aptidão psicológica, teste de avaliação do condicionamento físico, inspeção de saúde e, em alguns concursos, prova de títulos e prova prática.

Atualmente, as militares ocupam postos de 3° sargento até tenente-coronel. Futuramente, poderão atingir a maior patente da instituição, a de tenente-brigadeiro-do-ar. Todas elas passam por um treinamento que pode durar de 13 semanas, no caso das oficiais temporárias, até quatro anos, no caso das formadas pela Academia da Força Aérea. As mulheres, ao lado dos homens, recebem instruções militares que incluem uso de armamento e preparação física, além da formação específica para as áreas onde vão atuar.

Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) – Guaratinguetá (SP)

Para ingressar no Curso de Formação de Sargentos é precisa ter concluído o Ensino Médio e não ter completado 24 anos até a data da matrícula e início do curso. As mulheres podem cursar a EEAR nas especialidades de Eletricidade, Eletrônica, Equipamentos de Vôo, Meteorologia, Suprimento, Administração, Informações Aeronáuticas, Cartografia, Desenho, Enfermagem e Eletricidade. O curso tem duração de 2 anos e forma militares de carreira. Ao receber o diploma o aluno passa a graduação de 3º sargento especialista podendo, através de seleções internas, ter acesso ao oficialato.

Academia da Força Aérea (AFA) – Pirassununga (SP)

O candidato ao Curso de Formação de Oficiais Aviadores, Infantes e Intendentes (CFOAV/ CFOINF/CFOINT) precisa ter concluído o ensino médio e não possuir menos de 17 anos na data da matricula, nem completar 21 anos até 31 de dezembro. O CFOAV e CFOINT é para ambos os sexos e o CFOINF admite apenas candidatos do sexo masculino. O Curso tem duração de 4 anos e, ao formar-se, o Cadete é diplomado Aspirante-a-Oficial da Força Aérea Brasileira e poderá chegar ao generalato.

Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR) – Belo Horizonte (MG)

Para ingressar no Estágio de Adaptação de Oficiais Temporários (EAOT) o candidato precisa ser formado em Instituições de ensino superior reconhecidas pelo MEC, ter registro no respectivo conselho regional e possuir, no máximo, 42 anos na data da inscrição. O curso tem duração de 13 semanas e, ao concluí-lo, o estagiário é nomeado 2º Tenente do Quadro Complementar de Oficiais da Aeronáutica, podendo permanecer no serviço ativo por nove anos. Podem ingressar candidatos do sexo masculino e feminino.

Ainda no CIAAR é realizado o Curso de Adaptação de Médicos, Dentistas e Farmacêuticos da Aeronáutica (CAMAR/CADAR/CAFAR), que forma oficiais de carreira de ambos os sexos. Tem duração de 13 semanas e o candidato que deseja ingressar não pode ter completado 35 anos até 25 de dezembro. Ao concluir o curso, o aluno é nomeado 1º tenente.

Já o Estágio de Adaptação de Oficiais Engenheiros da Aeronáutica (EAOEAR) também recebe candidatos de ambos os sexos com curso superior em instituição de educação superior civil credenciada pelo MEC. O EAOEAR tem a duração de 13 semanas, forma militares de carreira que poderão chegar ao posto de major-brigadeiro. Para ingressar é necessário não ter completado 31 anos até o dia 25 de dezembro do ano da inscrição.  (Fonte: Agência Força Aérea)

Minha filha Charlene ingressou na segunda turma da Escola de Especialistas de Aeronáutica, porta por onde eu entrei na FAB 25 anos antes.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

HISTÓRIA de luta: o pesadelo continua

 Capítulo 14, continuação da postagem anterior.

COMO acontecia sempre quando eu não fazia boa prova, evitei a rodinha que a turma sempre fazia ao término dos testes. Dessa vez foi por outra razão. É que eu saí com a ilusão de ter feito a nota mínima de seis. Todavia, é claro, não estava com plena convicção disso, daí não ter parado para discutir as questões pelo medo de desiludir-me, e assim baixar a minha auto-estima.
Passei por um grupo de sargentos que conversavam.
É fácil. Bastava culpar algum aluno – dizia um deles. Coisa sórdida isso – indignava-se um outro.  Mas é o que vem ocorrendo – confirmava um terceiro.
Foi somente o que pude ouvir, sem saber do que se tratava. Dois deles sabia que eram do Ceá; e um outro, para mim um desconhecido. Paciência, nenhuma importância a dar, cada um com seus próprios problemas. O aluno da conversa com o seu; eu, que nada tinha a ver com essa história, com a tal da prova de Matemática. Fui adiante, numa mistura de alivio e preocupação com o resultado da prova. Quando era assim evitava naturalmente falar com qualquer que fosse, só o fazendo depois de algum tempo decorrido, meia hora pelo menos. Era o tempo dos nervos se acalmarem e da cabeça esfriar.
No entanto foi inevitável uma conversa que tive com o sargento J. Silva, um de nossos instrutores. Ele me parou quando chegava próximo à cantina do portuga, chamando-me à parte.
– Como foi de prova, Quinze Setequatro?
– Mais ou menos.
– Mais para mais… ou mais para menos?
Não tive outro jeito senão contar-lhe toda aquela estratégia que tracei na elaboração da prova, inclusive sobre a dedução que tive sobre a distribuição das respostas, e assim pude constatar que faltavam letras ‘D’ nas minhas respostas, completando com essa alternativa as questões em branco.  Falava com a empolgação de quem tinha descoberto a pólvora, louvando meu talento em burlar a equipe de avaliação. No íntimo, não tinha a mínima convicção de acerto, mas era importante para mim manter aquele ar de vitória.
– Santa ingenuidade, Quinze! – deixou escapar em voz alta o sargento, não se importando com o efeito psicológico que essa expressão poderia causar  em mim.
– Mas…
Fiquei com vergonha dos outros alunos que estavam próximos, alguns que até pararam para escutar somente por mera curiosidade, e dos outros circunstantes, que eventualmente ouviam o desabafo do sargento J. Silva. Naturalmente alguns ficaram com pena de mim, e outros seguiam seu caminho pensando nos próprios problemas.
– Mas, mas… não tem mais nenhum, Quinze. Eu conheço a equipe de avaliação. Eles também conhecem o aluno, são muito experientes. Então você acha que eles iriam distribuir assim, matematicamente, as respostas da prova?
– …
Estava aturdido demais com a reação dele para responder. Ele mostrava-me que o rei estava nu, abrindo-me os olhos para o quanto eu fora simplista, o quanto fora inocente, supondo que teria de ser assim da forma como ‘inteligentemente’ imaginava.
– E depois, Quinze, – continuou ele um pouco mais calmo – mesmo que fosse assim como você, ‘brilhantemente’, pensou. Você disse que deixou de resolver quinze questões…
– Isso mesmo – respondi já resignado.
– Quem lhe garante a sequência certa das questões com as respostas ‘D’? Quem garante que a próxima que você marcou ‘D’ não era mais uma ‘C’, ‘B’ ou ‘A’? E a outra questão seguinte? E todas as outras?
– É, sargento, o senhor tem razão. Pisei na bola.
– E pisou feio, meu jovem. A menos que você seja um cara muito sortudo, e se for assim, marque um volante da loteria esportiva pra mim, que a gente racha o prêmio.  Rodrigues! Rodrigues! Ouça isto.
Agravando a minha situação já bastante desconfortável, e não ligando a mínima para o politicamente correto (essa expressão nem existia na época), acenou para um suboficial que saía do banco no momento.
– É, filho, você bancou o tolo – disse-me o suboficial em meio a sorriso como forma de aliviar o tom de censura das palavras.
Seguiram em direção ao prédio do comando, deixando-me ali sozinho com o meu problema. Fiquei arrasado, bem mais arrasado que antes da prova, pois, bem ou mal, tinha a esperança de conseguir vencer aquele terrível obstáculo. Ao concluí-la, estava já quase que totalmente convencido do êxito; agora, toda a fantasia estava revelada. Vieram-me à mente a cervejada da sexta, o pesadelo, a chacota da turma, o hospital, e agora, por último, a fatídica prova com aquela ideia genial. Como fui tonto! Teria sido melhor deixado aquelas questões sem resposta. Cintinuei o caminho de cabeça baixa, sem coragem de enfrentar os colegas, ou quando, levado a responder a alguma saudação de um ou de outro, o fazia sem encará-los, no temor de que minhas feições me revelassem o fracasso.
Na educação física da tarde corria sem ânimo, de forma que somente o corpo estava ali, a mente distante. Era o fantasma do desligamento que insistia em atormentar-me. Passamos em frente à companhia igê e vi alguns soldados conversando, alguns outros com uniforme de serviço, e um deles que fazia faxina, limpando o hall do alojamento. Seriam meus futuros companheiros? Talvez, mas assim ainda seria melhor do que voltar para casa. Não, isso não; voltar para casa é que não iria. Se fosse necessário, ficaria na Escola na condição de soldado, com a esperança de retornar ao Ceá.  Pensava assim e já me imaginava ali na companhia igê, de essedois, a abreviatura de soldado de segunda classe.
Dessa vez o guia não era o Brito Souza e sim um estagiário peruano, que puxava em seu idioma um grito de guerra.
Ja ja ja ja! 
Me muero de risa! 
Con ese trotezito tan tranquilo.
Señor comandante, 
Vamos a la guerra…
A educação física me fazia bem
Normalmente faziam-me bem as cantarolas e os gritos de guerra, aos quais eu respondia a plenos pulmões, dando-me mais moral à corrida. Naquela, porém, nenhum efeito benéfico me causava ao espírito. A cabeça, me pesando uns duzentos quilos, estava lá ainda naquela bendita prova de matemática e, principalmente, nas consequências vindouras decorrente dessa derrota. Chegamos ao ponto final da corrida, que era o estádio, onde o professor voltaria, antes de nos liberar, ao discurso costumeiro, o tal discurso motivador.
Escutem, alunos! Vocês não devem entregar os pontos. Têm de ser otimistas… fortes. Pode aquele que pensa que pode. Se você já entrar em campo pensando que vai perder, certamente vai perder…
Isso era comigo, pensava com meus botões. Será que ele já sabe?
Continua… 

A MAIORIA  das pessoas está ligada a um tempo anterior, mas você deve estar vivo em nosso próprio tempo.” Marshall McLuhan
AMAI-VOS uns aos outros como eu vos tenho amado. (BLOGUE do Valentim em 24set.2011)