MELHOR assim!

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ONTEM me quedei pensando em alguém, uma moça, que fez parte da minha juventude. Era noite.

Sabendo de seu primeiro nome e de um de seus sobrenomes, corri a pesquisar no Facebook. Na primeira tentativa, se apresentaram quatro ou cinco, mas nenhuma era ela.

Não desisti. Segunda tentativa, acrescentei o nome da cidade. Sim, eu morei nessa cidade por cinco anos. Foi lá, quando estudava inglês em uma escola de línguas, que a conheci. Era uma das professoras. Dezenove aninhos, morena, esbelta, elegante, inteligente, charmosa…

Essa era a imagem que guardei durante esses 28 anos: linda. Jamais a esqueci. Numa confraternização de final de ano, tipo amigo secreto, saiu para mim o nome dela.

O que dar para alguém como ela, uma moça recatada, de família, bem diferente de tantas outras com as quais a minha vida se cruzava? Creio, não lembro bem, alguém sugeriu uma caixa de música. Foi a lembrança que lhe dei naquela noite lá no União Cultural, escola onde buscava desenvolver meu inglês pobrezinho. Ela era, como já disse antes, professora de Inglês. Portanto, nesse quesito estava muito acima do meu nível. Sim, a gente fica se comparando. Bem provável tenha esse fato mexido com a minha cabeça.

Tímido, tomei coragem de lhe dizer sobre a minha pretensão: queria namorá-la. Saímos uma vez para um sorvete, um programinha inocente. Mas foi só essa vez. Ela não queria me magoar e eu entendi que não era correspondido.

Tudo bem. Todavia, cheguei a passar em frente da casa dela algumas vezes. Sem coragem para parar. Noutra vez, deixei-me ver na mesma igreja em que ela frequentava aos domingos. Teria eu percebido algum interesse? Talvez tivesse pensado melhor e reconsiderado sua decisão anterior. Talvez…

No entanto, tratei de repeli essa segunda impressão e aceitei passivamente a recusa, não insistindo mais num início de relacionamento que poderia não dar certo.  Não a procurei mais. A moça merecia ser feliz e eu não me considerava à altura dessa felicidade.

Eu me cobraria muito se não a fizesse feliz. Seria infeliz se ela não fosse feliz. Então, que ela seguisse a sua vida e Deus colocasse em seu caminho alguém que lhe desse toda a felicidade que merecia. Quanto a mim, seguiria a minha vida… e segui outro rumo. Transferi-me para outra cidade, deixando-a, pois não se deve ao menos começar aquilo que, se sabe, não teria como seguir adiante.

Pois bem, nessa segunda tentativa, localizei alguém com o nome dela, mesma cidade. Fui às fotos.

Era ela, só podia ser ela. 28 anos depois e e ela… continua linda! Por curiosidade, fui à foto de seu esposo: que homem de sorte!

Mandei uma mensagem para confirmar. Era ela mesma, que não me tardou a responder. Travamos diálogo depois de 28 anos. Confirmou a caixa de música, que guarda há quase três décadas. Senti-me lisonjeado com tanta consideração.

Isso me calou fundo. Lembrar de mim depois de 28 anos; guardar um objeto por todo esse tempo! Sinal de que algo de bom eu representei.

Emocionei-me.

Fiquei a pensar. Como é natural, muitas perguntas me vieram à mente. Como teria sido a minha vida com ela? E a dela, como teria sido? Teria sido feliz? Mas se não, eu jamais me perdoaria.

Olhei novamente para a fotografia.

Foi melhor assim!