MENSAGEM ao Alemão!

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PACOBAHYBA chega apressadamente ao Serviço de Suprimento Técnico, do qual é o chefe, sobe a escada a passos rápidos, quase que a pular os degraus, abre a porta da chefia e vai direto ao reservado. Urgia passar o radiograma para o Alemão. Alguns segundos depois e seria tarde demais para pagar esse imposto que a natureza não dispensa e que, de uma forma ou de outra, cada sujeito tem que pagar não importando onde esteja.

Isola-se enfim nesse momento único, necessário, aliviante e prazeroso de plena solidão.  Aaahh!  É exatamente aí onde a natureza se faz implacável a todos indistintamente, rico ou pobre, homem ou mulher, jovem ou velho, magro ou gordo, preto ou branco, santo ou pecador, ilustre ou ordinário, comandante ou soldado, todos — absolutamente todos — se apresentam iguais neste mundo porque ninguém, não importando classe social, sexo, idade, etnia, crença religiosa, conhecimento, patente, é capaz de sonegar tão sagrado imposto.

Acende um cigarro e se queda a meditar aproveitando aquele momento só seu, indelegável, discreto, do qual não se faz — e nem se deseja — publicidade alguma. É nessa hora que toda a gente se dedica a refletir, meditar, pensar sobre os problemas, assuntos do momento, concentrar-se nalgum problema que o aflige, ou mesmo procurar esquecer a outros, ou ainda simplesmente ler um jornal ou folhear uma revista.

Dessa vez Pacobahyba pensava sobre como articular o discurso que seria assinado e proferido pelo tenente Normando,  a pedido de dona Sizenanda. Como é mesmo o nome do brigadeiro?

Agora ouve vozes lá em baixo. Era a sua turma, que já retornara à atividade rotineira após o almoço e o intervalo de descanso. É possível distinguir bem as vozes de Olegário e de Gentil. Falam alto pois pensam que o chefe está ausente.

— A vida é mesmo engraçada, principalmente aqui nesta base aérea.

— Por que diz assim, Gentil?

— Não dá pra fazer filme de Faroeste. Só tem artista aqui, caro Olegário.

— Você tem razão — É o suboficial Juvêncio que entra na conversa. — Por exemplo, tem aí um sujeito metido a escritor, que, pra vender seus livros, pagou gente pra sair por aí nas livrarias procurando o livro, qual é mesmo o nome?, ah sim, Contos Paraenses. Não é mesmo, Gentil?

— Veja só, Olegário, que me referia a tantos casos que a gente houve na mesa de rancho e depois, quando se está lá no cassino jogando sinuca ou uma dama.

— E aí? Continue.

— Só hoje pude ouvir duas fichas, que hão de compor as páginas do meu próximo livro: o caso do defunto viajante e a história do Aristides, o falsário, que vive por aí dando trambique nos outros.  Responde só a onze processos por estelionato. Ora se não vão pro meu livro. Acrescento um detalhe aqui e outro ali, aumento sempre um pouquinho e a história fica bem engraçada. — e voltando-se para o suboficial Juvêncio Longo —  Ora, suboficial, eu pelo menos passo por aquela porta sem que precise me abaixar.

— Han?!

— Meu suboficial, nesta vida cada um tem o seu truque . Eu precisava me virar pra poder pagar a editora e os bancos. Mas, creia, esse bizu que o senhor ouviu por aí é puro boato. Não se preocupe com isso, que deve ser coisa que puseram na sua cabeça. Relaxe, homem!

— Boa tarde, quero falar com o capitão Pacobahyba — era o tenente Normando, que chegava em boa hora, interrompendo uma conversa que não poderia dar boa coisa. Juvêncio sorria um sorriso sem graça, enquanto os — Zuleiko acabava de chegar — outros sorriam a furto.

— Ele deve estar por aí paquerando a secretária do comandante — disse Zuleiko, com um sorriso de escárnio.

No entanto, Pacobahyba ouvia lá de cima.

— Estou aqui em cima! Pode subir, tenente — disse o oficial, que, aliviado, abria a porta de sua sala.

— Xiii! — faz Juvêncio. — Te explica depois pro chefe, Zuleiko.

— Quero falar com você, Gentil, mais tarde. Defunto viajante! Essa é boa.

— Sim, senhor, capitão!

Agora mais leve, Pacobahyba aponta uma cadeira onde, a um sinal do capitão, Normando senta.

— Temos só esta tarde e mais a manhã seguinte, meu tenente. Vamos ao discurso.

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