MARCAS e produtos!

MARCAS bombril

SOU um curioso, um estudioso da nossa língua. Por isso a observo e a estudo de maneira informal, observando aqui e pesquisando ali. Desde cedo foi assim, assim que aprendi as primeiras letras e formava as palavras iniciais juntando as sílabas: si-la-bas.

Depois ficava a matutar sobre as novas descobertas. Em todos os lugares. Até sobre o vaso e sob o chuveiro.

Que maravilha! A mágica do saber!

Minha vida era olhar para o alto onde estavam penduradas as placas e pintadas palavras. Uma vez isso me fez mal.

Uma placa de lanchonete indicava os produtos e um deles era um sanduíche, pão, queijo e presunto. Estava lá indicado: Mixto. E foi por isso que errei uma questão numa prova de admissão ao colegial. Sim, naquele tempo não havia vagas no atual ensino médio para todos.

Ainda assim passei. Mas um conselho: não confie em placas!

Maldita placa. Bendita placa!

MARCAS placas

Pois bem. Errada a questão, nunca mais confiei novamente no que dizem as placas. Tendo dúvida, vou ao dicionário. Não contente, constato a origem do vocábulo, de onde vem, qual o cognato… Continue lendo

MACHADO de Assis!

Missa do galo

 machado

NUNCA pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.

A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito. Continue lendo

TIÃO Macalé!

Nojento! 

TIÃO Macalé

FORAM os críticos franceses da famosa revista Cahiers du Cinema que mostram ao mundo o valor de Alfred Hitchcock. Até então, o famoso cineasta era apenas um funcionário talentoso dos estúdios de Hollywood, um sujeito capaz de fazer excelentes filmes de suspense, destinados apenas a vender ingressos e saquinhos de pipoca. Foi a luz da crítica que deu a dimensão artística do trabalho que Hit fazia comercialmente. Tchan!

Não tive a mesma sorte que o diretor inglês. Não recebi o olhar atento de nenhum observador. As poucas linhas escritas sobre mim perfilam um humorista que reforçava os estereótipos do negro pobre, sem estudo e um pouco malandro. Um mero ator cômico, de poucos recursos, que funcionava como escada para estrelas do humor fazerem piadas preconceituosas. Nojento!

Já que ninguém se mobilizou para reconhecer o caráter premonitório de minha obra, resta a mim realizar esta tarefa. A autopromoção não tem credibilidade, eu sei. Mas o que posso fazer? Esperar que algum estudante de comunicação se debruce sobre o meu legado e abra os olhos de cinco ou seis membro de uma banca examinadora? Me contentar em ver minha contribuição artística transformada em tese de mestrado para ser esquecida na prateleira de uma biblioteca? Isso seria, como se diz em São Paulo, disgusting.

Então vamos lá. Não há exagero algum em afirmar que fiz a mais pungente crítica à era digital, antes mesmo dela acontecer. Através dos meus bordões, satirizei o pensamento reducionista, aquele que procura limitar a complexidade das questões em apenas duas possíveis respostas: like (Tchan!) e dislike (Nojento!).

O brilhantismo de meus bordões reside justamente na capacidade que eles têm de encerrar qualquer discussão. Funcionam como um veredito intimidatório e desmoralizante. Funkeiro? Nojento. Pronto, precisa dizer algo mais? Django Livre? Tchan! Isso já basta para qualificar Tarantino como gênio e passar para o próximo assunto.

Você há de objetar dizendo que na Internet há sempre a possibilidade de comentar e aprofundar a opinião. Que nem tudo precisa ser um Fla-Flu. É verdade, mas na prática não é bem assim. Basta frequentar as redes sociais para constatar que o pensamento binário é dominante. Se você critica o STF, logo é classificado como defensor dos corruptos. Se é a favor das privatizações, recebe o rotulo de entreguista de direita. E assim por diante. Ninguém quer debater, todo mundo quer ganhar. Não há meio-termo, nem espaço para nuances. Tudo é preto ou branco. Na era digital, 50 tons de cinza, só no título do best-seller.

Nojento! (Blogs do Além)

 

TIÃO Macalé foi um humorista brasileiro, que ficou célebre por conta de suas aparições engraçadas no programa Os Trapalhões e em outros humorísticos.

O HUMOR regional brasileiro!


Por Luciana Martins, especial para o Yahoo! Brasil

CARIOCA é malandro, o paulista só pensa em trabalho, o mineiro é provinciano, o baiano, preguiçoso, o curitibano, anti-social, o gaúcho, bem, você já deve imaginar… Mas os brasileiros podem mesmo ser classificados assim, genericamente? A pergunta renderia uma longa discussão, mas é inegável que o humor se encarregou de formular estereótipos de acordo com cada estado brasileiro.

Chico Anysio

Os “tipos” regionais clássicos tiveram ainda mais propagação em três eixos principais, que acabaram se tornando referências do humor, com o matuto nordestino, o malandro carioca e o caipira do interior paulista e mineiro.

Incontestavelmente, o Ceará é o berço de desses tipos e celeiro de grandes humoristas. Márcio Acselrad, coordenador do Labgraça, grupo de pesquisa sobre humor da Universidade de Fortaleza (Unifor), afirma que o humor cearense é o da descontração, do “Ceará Moleque”, que faz gozação com os outros e produz risada a partir dos próprios costumes e vida sexual das pessoas. “Humor é feito para rir, não precisa ter uma missão e, no Ceará, isso é muito evidente. O cearense é engraçado por natureza e faz piada até sobre si mesmo”, diz.


Para este comentário, não faltam exemplos, já que Renato Aragão e Tom Cavalcante são dois importantes nomes dessa escola. “O Didi é isso. Mistura zombaria com um olhar infantil que é pura graça”. O coordenador conta que esse estilo de fazer humor foi ao encontro do público na década de 1980, quando homens travestidos começaram a fazer shows humorísticos nas pizzarias, o que se tornou marca registrada do Ceará e é hoje atração turística.

Mas não dá para falar de humor cearense sem citar Chico Anysio. Apesar de ter se mudado para o Rio muito novo, o imortal Professor Raymundo – que ele não esconde ser seu personagem preferido – tem na veia o talento cearense e foi um dos maiores sucessos humorísticos da TV brasileira. Sobre a razão da farta safra de humoristas do estado, Acselrad brinca: “Deve ser a água – ou a falta dela. Acho que no Ceará as pessoas viram no humor a saída para problemas como a miséria”.

No Sudeste

Já no eixo Rio-São Paulo, a questão política foi alvo de muitos humoristas, mas o regionalismo não deixou de ser matéria-prima para as piadas cariocas e paulistanas. “Na linguagem do humor, o carioca vai sempre ser o malandro que não leva a vida tão a sério e zomba do paulista por trabalhar demais”, comenta Márcio.

Mas o que pode ser definido como originalmente carioca é o besteirol, que teve início nos anos 80. É o que diz Bruno Mazzeo, roteirista de programas de TV e um dos principais representantes da nova geração de humoristas. “Essa coisa mais despojada de falar besteira, até pelo clima da cidade, foi inaugurada no Rio e depois se espalhou para o Brasil. Pedro Cardoso, Felipe Pinheiro, Miguel Falabella e Guilherme Karan foram os precursores”, afirma Mazzeo, que estreia no cinema em outubro com a comédia ‘Muita calma nessa hora’ e parece ter herdado o talento do pai… Chico Anysio. A trupe do Casseta & Planeta também é célebre pelo escracho e não poupa os estereótipos regionalistas em suas piadas.

Já pelas bandas de Minas Gerais, de acordo com o humorista Geraldo Magela, o Ceguinho, o que prevalece é o jeito doce e carismático do mineiro, que acabou ganhando fama de caipira, encarnado na figura de Nerso da Capitinga (personagem de Pedro Bismarck), um dos principais símbolos atuais deste tipo clássico. “Somos zombados muito por causa do sotaque e pelos hábitos do interior de Minas de tomar ‘cafezim’ no fim da tarde e ‘prosear’ com o vizinho. É uma coisa cultural do estado que os humoristas exageram para fazer piada”, diz o Ceguinho.

Renato Aragão

Segundo a historiadora e editora do blog Carbono Catorze, Paula Janovitch, o humor regional que faz menção ao caipira surgiu no final do Império, quando os jornais publicavam colunas em que um caipira ficcional descrevia sua vinda para a cidade. No início do século 20, de acordo com Janovitch, este personagem passa a usar sua ingenuidade para fazer crítica à vida urbana e se torna o caipira urbano, que contesta o preconceito. Importante personagem da época foi o jornalista Cornélio Pires, que difundiu seu personagem caipira na rádio.

Mas foi nos anos 1920 que a figura do caipira perde a força crítica e passa a ser o que tem verme, é ingênuo e bobo. Isso é retratado no Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato que é interpretado no cinema por Amácio Mazzaropi, um dos atores que mais encarnou o tipo do caipira. “Nesta época, campo e cidade se tornam lugares distintos, com classes sociais mais definidas. Assim, o caipira passa a ser o excluído e é alvo do humor. Mazzaropi faz o típico caipira ‘bobo’ desta fase”, afirma a historiadora.

Apesar de ser visto como ‘ingênuo’, assim como o malandro carioca e o matuto nordestino, o estereótipo do caipira é também o ‘esperto’, ‘o mineiro que come quieto’. Para Márcio Acselrad, isso é próprio da cultura brasileira e acontece porque humor é estratégia de sobrevivência. “Quando eu não tenho nada, é melhor ludibriar, enganar, sair por cima. O humor brinca com isso”, explica.

Comédia em pé 

Se os tipos regionais geram risada, uma nova onda “sem tipo” também tem divertido o brasileiro. Iminentemente urbano, o stand up comedy (“comédia em pé”, em inglês) virou moda, apesar de ser um gênero existente no Brasil desde a década de 1960, com o humorista José Vasconcellos. 

Para Fábio Rabin – que faz stand up há cinco anos, antes mesmo de virar febre no Brasil, e também alegra o telespectador da MTV com o programa Comédia – o humor estava carente de identificação e as piadas precisavam ser renovadas, o que a comédia em pé tenta resolver. Segundo Rabin, até nesse gênero é possível ver as marcas de cada estado.

José Vasconcellos

“Enquanto o paulista tem mais preocupação em ensaiar, o carioca, até pela característica de ser despojado, improvisa mais. No Nordeste também há mais improviso, e eles usam muitos recursos regionais, como repente, poesia, jogo de palavras, fantoches, algo bem original”, conta o humorista de 28 anos.

Independentemente da região, o humor brasileiro vive um bom momento e tem conquistado espaço até mesmo em espaços inusitados. Emissora de TV genuinamente musical, a MTV, assim como a Rede Record, vem oferecendo mais espaço para o humor. Dos 34 programas da grade, cinco são essencialmente humorísticos, outros três misturam jornalismo com humor e dois são desenhos animados que também pretendem fazer rir. Só este ano, a emissora contratou seis novos humoristas e destinou metade do horário nobre de segunda a sexta-feira a programas de humor. “Percebemos que o público teve muita receptividade a esta nova linha, que tem alavancado nossa audiência”, afirma Raquel Affonso, gerente de programação da MTV Brasil.

Pensamento de hoje:

“AFINAL, para quem anseia obter respostas para suas próprias questões, não é somente aos outros que devemos perguntar.” Moacyr Castellani.

Bom dia a todos, fiquem com o bom Deus e…

LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

PAREDES de hospitais!

PAREDES de hospitais já ouviram preces mais honestas do que igrejas; já viram despedidas e beijos mais sinceros que em aeroportos…

É no hospital que você vê um homofóbico ser salvo por um médico gay…

A médica “patricinha” salvando a vida de um mendigo…

Na UTI você vê um judeu cuidando de um racista…

Um paciente policial e outro, presidiário, na mesma enfermaria recebendo ambos os mesmos cuidados…

Um paciente rico na fila de transplante hepático pronto para receber o órgão de um doador pobre…

São nessas horas em que o hospital toca nas feridas das pessoas que universos se cruzam em um propósito divino e nessa comunhão de destinos nos damos conta de que sozinhos não somos ninguém!

A verdade absoluta das pessoas, na maioria das vezes, só aparece no momento da dor ou da ameaça real da perda definitiva”

Hospital, local onde os seres humanos se desnudam de suas máscaras e se mostram como são em suas verdadeiras essências.

Esta vida vai passar rápido, não brigue com as pessoas, não critique tanto seu corpo.

Não reclame tanto.

Não perca o sono pelas contas.

Não deixe de beijar seus amores.

Não se preocupe tanto em deixar a casa impecável.

Bens e patrimônios devem ser conquistados por cada um, não se dedique a acumular herança.

Não fique guardando as taças.

Use os talheres novos.

Não economize seu perfume predileto, use-o para passear com você mesmo.

Gaste seu tênis predileto, repita suas roupas prediletas, e daí?

Se não é errado, por que não ser agora?

Por que não dar uma fugida?

Por que não orar agora ao invés de esperar para orar antes de dormir?

Por que não ligar agora?

Por que não perdoar agora?

Espera-se muito o natal, a sexta-feira, o outro ano, quando tiver dinheiro, quando o amor chegar, quando tudo for perfeito…

Olha, não existe o tudo perfeito.

O ser humano não consegue atingir isso, porque simplesmente não foi feito para se completar aqui.

Aqui é uma oportunidade de aprendizado.

Então, aproveite este ensaio de vida e faça-o agora…

Ame mais, perdoe mais, abrace mais, viva mais intensamente…..

E deixe o resto nas mãos de Deus…..

(por sugestão de Bruno Noronha, via Facebook)

SHAZAN e Xerife!

50 ANOS da Globo? Então parabéns ao Shazan e ao Xerife, dois heróis infantis que nunca viram a criança como mercado consumidor. Mas isso foi há muito tempo…

Gozado, tanta gente com lembranças boas mas pra mim foi uma época muito traumática. Eu tinha 8 anos, a gente não podia sair junto na rua, juntava gente sempre. E eu era sempre identificado como “o filho do Xerife”. “Você vai ser ator igual ao seu pai?”, foi a pergunta que mais ouvi durante anos. Acho que fiquei meio traumatizado…

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