UM CERTO capitão Buck Rogers!

 

Capitão Buck Rogers

UM DIA desses lembrava do Martins, um colega de turma da Escola, onde convivemos, nós quase quinhentos jovens, de 1977 a 1979, Guaratinguetá, São Paulo. Martins também era conhecido pela cidade onde nasceu: Manaus.

 

Pois bem!

Manaus era do tipo expansivo, falante, fazedor de graça e tirador de sarro com todo o mundo. Incomodava a uns e fazia rir a outros, mas, creio eu, a grande maioria não o levava a mal. Ao contrário, nós nos divertíamos com a sua figura pitoresca, com a qual passamos com o tempo a simpatizar. Uma de suas manias era gabar-se por ser bom de Matemática, fixando-se em exagero pelo Teorema de Pitágoras. Qualquer coisa era só aplicar Pitágoras. Pitágoras aqui, Pitágoras ali…

Quase leva bomba, porém, em Português. Se não fosse o sargento J. Carlos mandar adulterar a ficha do Manaus! Bem, essa é outra história que agora não convém lembrar.

Depois de formado, Manaus foi bater lá em Anápolis. Éramos uns trinta ou 35 que fomos classificados por término de curso lá.

Aí, já graduado terceiro-sargento, um de seus papos era sobre o temor que o sargento tinha de “levar carona”. Levar carona era uma expressão, uma gíria, usada por nós para definir quando o militar deixava de ser promovido na época prevista. Isso acontecia geralmente por baixa avaliação profissional. Também acontecia de se levar carona por estar envolvido como réu em processo judicial, ficando sub-judice, ou seja, aguardando julgamento. Podia ser até por um acidente de trânsito ou coisa assim.

Manaus andava a dizer que não queria se tornar um sargento Buck Rogers. O Índio sempre esperava alguém perguntar: “Buck Rogers?”. Se ninguém perguntasse, ele mesmo completava a informação: Buck Rogers era um personagem de uma série de tevê norte-americana, que permaneceu mais cinco séculos como capitão.

Na história televisiva “Buck Rogers no século 25”, o capitão William Buck Rogers é um astronauta que numa experiência científica é acidentalmente congelado no século vinte e só acorda no século 25, isto é, o capitão desperta quinhentos anos depois. Daí a expressão usada por Martins por associar um personagem que ficou quinhentos anos na mesma patente de capitão a um sargento que não foi promovido na época certa. E (cá pra nós!) havia um número considerável de sargentos nessa condição indesejável na Base Aérea de Anápolis. Naquele tempo.

O tempo passou. Infelizmente o nosso amigo Manaus não está mais neste plano, porquanto um acidente aeronáutico acabou levando o Índio mais cedo deste mundo. Vieram para mim as promoções no tempo certo, merecendo-as ou não, e eis que ingresso um dia no oficialato, chegando ao posto máximo: capitão. Como jamais serei promovido a major, ficarei no posto eternamente lembrando o capitão Buck Rogers do amigo Martins.

No Exército, na Força Aérea, nas polícias estaduais e nas corporações de bombeiros capitão é uma patente militar superior a primeiro-tenente e inferior a major. Já na Marinha, há várias patentes de capitão: capitão-tenente, capitão de corveta, capitão de fragata e capitão de mar-e-guerra. Na marinha mercante, capitão é o comandante do navio ou barco.

O teatro, os livros, o cinema e a televisão nos trouxeram outros capitães. E essa patente é com certeza a mais lembrada da ficção, desde o capitão Nemo, de Júlio Verne.

Vieram os eternos capitães América, Marvel, Caverna, Fantástico, Gancho, entre tantos outros.

Mas há outros capitães, fictícios ou não, de todo o tipo: heróis e vilões, da cidade e do mato, em pessoa e em desenho, sérios e debochados, fardados e à paisanas, militares e civis, da Terra e do espaço sideral…

Capitão JamesTKirk

William Shatner interpreta o capitão Kirk

Exemplos:  Rodrigo Cambará, criação de Érico Veríssimo; capitão Balbino, da música Samarica Parteira, obra de Luís Gonzaga; capitão Virgulino, o Lampião cangaceiro nordestino; capitão Canguru, mencionado no filme Forrest Gump; os abomináveis capitães-do-mato, caçadores implacáveis de escravos negros fujões; os debochados capitão Gay, do Jô Soares, e o capitão Feijão, obra do cartunista paraense J. Bosco; o capitão Kirk, da nave interestelar Enterprise; o capitão Crane, do submarino Seaview, em Viagem ao Fundo do Mar; outros menos conhecidos como o capitão Bumerangue e o capitão Frio.

Na série de tevê Jeannie é um Gênio, de bastante sucesso aqui no Brasil nos anos 1960 e 1970, nos primeiros episódios o major Nelson (Larry Hagman) era capitão. Logo foi promovido, porém, tornando-se o imortal major sortudo, amo da mais bela gênio de todo o mundo, imortalizada por Barbara Eden. Anthony Nelson livrou-se da sina de ser um capitão Buck Rogers, que jamais seria promovido.

Afinal, o Martins estava certo. Ao menos quanto a mim.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

4 comentários sobre “UM CERTO capitão Buck Rogers!

  1. Obrigado, professora Anady. Um comentário como esse, partindo de uma mestra como a senhora, só me deixa lisonjeado.
    Desejo à amiga e família um felicíssimo ano de 2018, sempre com bastante Deus!

DEIXE um comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s