ANADY Queiroz!

O projeto Aluno Escritor

PROJETO aluno escritor - capa

VASCULHANDO os escaninhos da memória (como diziam os antigos), relembro com carinho a época em que recebia novos soldados como auxiliares. Os jovens eram a mim confiadas, daí a responsabilidade que me cabia como encarregado, chefe e colega de trabalho mais experiente. Punha-me primeiramente a orientá-los e aconselhá-los.

Sempre foi assim. De primeiro como sargento, de terceiro-sargento novinho a suboficial antigo, e mais tarde como oficial, nos postos de tenente e capitão.

Chegavam à minha presença cheios de expectativa. Sentia-me, pois, na obrigação de alertá-los sobre a celeridade do tempo, das obrigações de rotina e do proveito profissional que deveriam tirar daquela convivência de um, dois, três ou quatro anos.

Um dos conselhos: não deixem de estudar; outro: procurem aprender algo de útil para utilizarem mais tarde na vida civil. A caserna, particularmente os quarteis da Força Aérea, oferecem muitas possibilidades. Ali o jovem pode trabalhar na seção de transportes como condutor ou mecânico, tem condições de servir na seção de saúde como auxiliar de enfermagem. Talvez seja pintor, eletricista, hidraulista, ferramenteiro, almoxarife, marceneiro. Na administração, tem a possibilidade de lidar com os meios de informática e servir como auxiliar administrativo. Toda essa cancha de experiências dão ao soldado um leque de possibilidades profissionais ao se desligarem do serviço ativo, facilitando a sua admissão no mercado de trabalho.

A passagem do jovem pela caserna ensejava uma transformação, uma mudança de comportamento ao longo desse período. Esforçava-me  em encaminhá-lo nesse sentido, formando novos cidadãos.

Transferindo tal modo de pensar e de agir para o campo do ensino formal, os mesmos escaninhos não me permitem olvidar de uma mestra.

O nome da professora Anady Queiroz me remete a uma significativa mudança de comportamento, pois foi a partir de suas orientações e incentivos que passei a me dedicar com mais prazer às Letras, representando essas ações pedagógicas um claro divisor de águas do, até então, humilde escrevente de quartel.

Isso foi na década de 1990.

PROJETO aluno escritor - dedicatória

Professora Anady é da fecunda Minas Gerais, sendo então conterrânea de Carlos Drummond, Guimarães Rosa, Pelé e Tancredo Neves e  de outros mineiros desse quilate. Jovem ainda, migrou para Brasília, a notável obra de outro mineiro, o inesquecível presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Radicada na Capital Federal, ela fez vida, família e profissão.

Professora Anady é, por conseguinte, mineira de nascimento e candanga de coração.

Pois bem!

Nessa época a professora Anady, percebendo traços literários nos meus modestos rabiscos, convocou-me a participar do Projeto Aluno Escritor, uma iniciativa da ASEFE, sigla para Associação de Assistência aos Servidores da Fundação Educacional do Distrito Federal, que reunia obras literárias dos discentes da rede pública do DF.

Desafiado então, pus-me a escrever com algum embaraço um conto inspirado em alguns personagens que por mim cruzaram. A inspiração do escritor, assim como de todo artista, vem em primeiro lugar do meio em que vive e, por segundo, de sua imaginação.

Antes, havia participado de um concurso promovido pela Associação Brasileira de Imprensa em que fiquei em segundo lugar, e o prêmio foi a assinatura de um jornal. O tema proposto era “Como Será a Comunicação Daqui a Cem anos”, que já abordei neste espaço. Durante um ano inteiro recebi o Correio Braziliense, que naquele tempo valia ser lido.

Agora, recentemente, tive a fortuna de reencontrar a professora Anady nas redes sociais. Fiquei sabendo de sua aposentadoria na Fundação Educacional do DF, passando a trabalhar no Ministério da Educação, onde certamente contribui com sua vasta experiência adquirida nas salas de aula, além de seu vasto conhecimento acadêmico.

Sou, portanto, imensamente grato a essa notável mestra, que me incentivou a escrever, ensejando em meu espírito tal mudança de comportamento.

Obrigado, professora Anady Queiroz!

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