QUEM canta, seus males espanta!

O universo maravilhoso da música

MÚSICA brasileira 3

Fonte: Internet

NÃO sei dizer ao certo desde quando gosto de música. O amor pela música tenha nascido talvez ao ouvir e adormecer sob as primeiras cantigas de dona Maria Ferreira ao ninar seu primeiro filho, que é exatamente este escriba humilde que digita estas linhas. Mas as primeiras memórias me levam ao menino de quatro, cinco ou seis anos, idade em que morávamos numa área rural e tínhamos por companheiro fiel a nos divertir, distrair, entreter e informar unicamente o velho e enorme aparelho de rádio à pilha, que ficava em cima de um móvel. Televisão era para pouquíssimas famílias, ainda mais que lá naquele rincão amazônico não havia luz elétrica. Daí que travávamos conhecimento do que se passava pelo mundo através do velho radião e, quando muito, por algumas páginas de jornal que eventualmente chegavam à casa na forma de embalagem de sabão, mantimentos e outros produtos de consumo.

Era tempo da fecunda, musicalmente falando, década de 1960, um período em que marcou época o movimento musical conhecido por Jovem Guarda. Era também tempo dos Beatles, o célebre grupo inglês que muito influenciou a juventude no mundo inteiro, cujas canções os músicos brasileiros copiavam, com versões em português, que foram batizadas de “Iê iê iê”.

Foi nessa época, no tempo de gírias como “broto”, “pão”, “brasa” e “nossa amizade” que surgiram nomes até hoje conhecidos como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Jerry Adriani, Vanderleia, Vanusa, Ronnie Von, Wanderley Cardoso, Renato e Seus Blue Caps, The Fevers, Reginaldo Rossi, Golden Boys e tantos outros representantes desse marcante movimento musical brasileiro.

ROBERTO Carlos

Roberto Carlos, imagem da década de 1960 (fonte: Internet)

Essa nova tendência musical dividia as programações radiofônicas da Rádio Marajoara com padrões de música mais tradicionais. Assim a gente também escutava e apreciava as vozes de Anísio Silva, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Cauby Peixoto, Carlos Galhardo, Emilinha Borba e outros artistas da Velha Guarda. Com o tempo as músicas desses artistas foram rareando nas ondas tropicais, em favor da Jovem Guarda e outros ritmos.

Eu me lembro muito bem da época, o tempo da lambreta.

Por conta da proximidade da região amazônica brasileira com os países do Caribe, Venezuela, Colômbia, as ondas de rádio nos traziam  igualmente as vozes musicais de cantores latino-americanos. Aprendemos então a gostar de artistas da qualidade de Bienvenido Granda, Augustín Lara, Pedrito Otiniano, Julio Jaramillo, Los Panchos. Os ritmos musicais paraenses, até hoje, recebem grande influência da música caribenha, sendo o merengue um estilo bastante apreciado nesse Estado brasileiro.  A lambada e a cúmbia também são até agora ouvidas e dançadas, tanto em idiomas originais como em versão.

MÚSICA estrangeira

Bienvenido Granda, cantor cubano radicado no México (fonte: Internet)

Portanto, vem de longa data essa relação entre este humilde escriba e a música de todas as épocas, ritmos e estilos.

Considero-me, por conseguinte, um bom ouvinte. Desde que a música seja boa.

Sou um apaixonado pela boa música e não tenho palavras exatas para defini-la. Já disse que a música é universal, a música é eterna, o dom da música é uma coisa extraordinária que Deus criou especialmente Ele próprio, e que, por um grande gesto de grande amor, achou por bem concedê-lo também a nós, seus filhos.  Ponto.

Diz o povo que quem canta seus males espanta, e é verdade. Mas essa definição é insuficiente, está longe, bem distante de definir os indefiníveis sentimentos de um ser humano normal sob os efeitos da audição de uma bela música. Sentir a melodia, as notas musicais, seus instrumentos em harmonia, tudo isso nos leva a uma transferência imediata para outra dimensão, para uma outra época, para a história que é contada sob a forma de música.  É como viajar, como a sonhar nas melodias e versos da canção que então escutamos. E se a música for dançante, então, é preciso muito autocontrole para não mexer os esqueletos de imediato. Para o bom ouvinte musical, de pronto há como discernir, identificar os instrumentos musicais executados, que, por sua vez, revelam a alma e o talento do músico, seja ele intérprete, instrumentista, arranjador. Isso nos dá um desejo não concedido de nos transportar para a banda, de forma a executar pessoalmente o instrumento ora sentido. Não existem palavras capazes de definir tal fascínio.

MÚSICA brasileira 2

Referência a uma composição de Gilberto Gil (fonte: Internet)

Embalado pela boa música tantas vezes já viajei; quantas vezes já sonhei. É a letra com sua mensagem, e seus versos, vocais, rimas, melodia, instrumentos, uma espécie de sinestesia. Sim, pois ao ouvirmos uma boa canção, visualizamos cores, sentimos os sabores da alma. Coração em sintonia com os tons.

Não há como privilegiar ritmos, gêneros, porquanto aprecio igualmente samba,  baião,  bolero,  valsa,  tango,  choro,  xote, roque,  carimbó, discoteca, moda de viola, merengue, cúmbia, lambada, reggae, música sacra,  folclórica, regional, guarânia, brega romântico, tudo, seja a música urbana ou rural, clássica ou popular.

Desde que a música seja boa.

Por boa música entendemos: 1) a melodia agradável e ritmada; 2) a harmonia da orquestra; 3) a letra com boa mensagem, sem apelação; 4) boa interpretação e boa voz.

Além disso, as lembranças que a obra evoca no ouvinte. Há, no entanto, composições musicais que trazem uma boa mensagem mas não agrada a melodia, e isso põe a perder o trabalho musical; uma boa melodia acompanhada de uma mensagem sofrível e pobre finda por arruinar a obra musical. Um trabalho se perde também se não se vem executado por bons músicos e instrumentação adequada, e ainda se o intérprete não é do ramo. Por isso há canções muito boas na voz de certo intérprete, porém nem tão agradável quando interpretada por outro.

Vejam que o músico talentoso nem precisa de caminhões e toneladas de equipamentos. Mas voltemos à boa música pela qual sou apaixonado.

Não importa se a melodia  dançante ou apenas para ser ouvida, o principal é que a música se torne agradável aos ouvidos, que ela nos divirta, que a canção toque o coração e alma, brindando-nos com sentimentos de amor, de saudade, de alegria. Se estou triste, logo me ponho a cantarolar uma toada e logo a alegria torna, espantando, como no adágio popular, os males.

Apesar de preferir a música brasileira pela língua, pela cultura, a fim de associá-las às variadas épocas literárias (outra paixão),  não me desagrada, porém, as composições de outras línguas e culturas, uma vez que a música não tem fronteiras, nacionalidade, raça, classe social. Portanto, aprecio igualmente a boa música em espanhol, inglês, francês (ah o charme da língua francesa!) e italiano.

Quanto à mensagem, a música (melodia e instrumentais) por si mesma a contém, bastando ao ouvinte escutar com os ouvidos da alma. Como, por exemplo, essa canção:

A letra nem precisa de tradução. A magistral interpretação do quarteto por si só já emociona a qualquer cristão.

Conclusão: sou louco varrido por música.

Mas só das boas!

L.s.N.S.J.C.!

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