CHICO Damião, o sangrador de onças!

ONÇA jaguar

 

Fonte: Internet

 

GENTE HÁ em muitos lugares deste planeta que, embora não tenha frequentado bancos escolares, sem ter recebido educação formal, esbanja conhecimento nos mais diversos assuntos do interesse humano. Gente que sabe de tudo um pouco, que tem resposta para tudo.

Lá no meu rincão não era diferente. E o artista daquela região recôndita do estado do Pará não era outro senão o velho Chico Damião, uns cinqüenta anos de idade.

O velho era quem nas redondezas saciava a curiosidade do povo nos assuntos mais variados e intrigantes. Não era o caso de se dizer que em terra de cego quem tem um olho é rei. Creio que não era esse o caso, pois tudo o que ele dizia (à consulta posterior de livros e de outros mais letrados), fazia sentido – menos o caso da onça, de que me ocupo agora nestas linhas. A fala de Damião expressava uma lógica irrefutável, levando, de quando em vez, os mais velhos a se questionarem se ele era um exímio mentiroso, desses autodidatas de muita leitura e imaginação, ou tudo mesmo era verdade absoluta. Desconhecia-se de onde o cérebro daquele velho, baixinho, fanho e meio corcunda, extraíra tanta informação. A seu modo era um sábio, desses que se estivesse no meio acadêmico seria capaz de levar o nome do país ao cenário científico internacional. Nunca esteve na hora certa e no lugar certo. Em vez disso, estava naquele instante, no meio daquele fim-de-mundo, filando um prato de comida em troca de uma boa prosa.

Além de saciar a nossa sede de conhecimento e nossa curiosidade, transformando em ponto final ou de exclamação  maioria   as nossas interrogações, velho Damião divertia a todos com o seu jeito aparente de pessoa simplória, aquele ar de homem erudito, mas que ao final se apresentava invariavelmente tão engraçado pela particularidade de ser fanho  não só por esta. Olha que nem precisava dizer nada, visto que apenas um olhar, um jeito, trejeito ou maneirismo era suficiente para encantar e prender a atenção de todos, homens, mulheres, velhos e crianças.

Tenho cá comigo de que o causo da onça, ele inventara com o propósito de acentuar o interesse sobre a sua figura, da qual irradiava todo um carisma. Servia ainda a determinada finalidade prática, a sobrevivência nesta selva chamada mundo, aplainando os duros caminhos da vida. Continue lendo