JOSÉ Augusto Moita!

Bem, temos uma orquestra!

 

NÃO VOU falar sobre essa sentença quando proferida por um ignóbil de origem hispânica, frente a uma dezena de crianças, também de origem hispânica, a se esgoelarem engaioladas à ausência de seus pais. Não, isso é para os estudiosos da mente, que sabem ocorrer o mesmo processo com os capitães-do-mato, com os gays homofóbicos, com os negros racistas e com os pobres que se acham capitalistas. Prefiro lhes contar uma história que termina com a mesma frase.
Tenho uma casal de amigos, Dona Marta e Alberto, que quando o segundo se aposentou do serviço público resolveram concretizar um sonho antigo: criar uma escola de música para crianças em sua cidade de origem, Redenção, a uns 60 quilômetros de Fortaleza.

Começaram na sala da própria casa, sem os dois saberem o que seja um simples dó de peito, mas com muita dor no peito pela criançada daquela cidade. Compraram com seus próprios recursos alguns violões e pediram para o Tarcísio Sardinha (fenomenal instrumentista alencarino) lhes ajudar na peleja. A coisa cresceu, da sala a Escola Livre de Música de Redenção lhes tomou a cozinha, o banheiro, deixando-lhes apenas o quarto de dormir, e sem muita privacidade, pois lá se guardavam os instrumentos.
Como o projeto não envolveu política ou verba pública, a comunidade sentiu-se com o dever de ajudar. Comerciantes, profissionais liberais, mães de alunos começaram a colaborar financeiramente e laboralmente. A Escola cresceu. Contratou professores e da casa foi para um galpão. Também não ficou só no violão, hoje lá se aprende quase todos os naipes, sem contar com o coral que quase naturalmente apareceu. E sempre incrementando, introduziram outras matérias. As crianças e adolescentes passaram a receber aulas de reforço escolar. Sim, como já tinham se acostumado sem a casa, começaram outro projeto para crianças mais miudinhas nela, uma pré-escola musical.
“Estamos envolvidos nessa empreitada desde quase o início, coisa de sete anos. Já fomos até convocados a dar uma palestra para os alunos, mesmo sem conhecer bem o assunto. O Alberto sempre está me colocando a par do que acontece por lá. Outro dia me ligou dando uma boa nova: a Escola conseguiu com uma Fundação verba para adquirir novos instrumentos, inclusive violas, cielos, baixos para completar os naipes que faltavam, e finalizou a ligação dizendo: BEM, TEMOS UMA ORQUESTRA!”

Aos que acreditam em coincidência, estou escrevendo e ouvindo música, quando terminei o texto estava tocando When A Child Is Born.

Belo exemplo. Como diz o cel. Joan Castro Alves, nos presídios há de tudo, menos músicos.
O mundo precisa mais de gente abnegada assim como o casal dona Marta e seu Alberto, protagonistas do texto de J. A. Moita!
L.s.N.S.J.C.! 

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