A MÁQUINA de escrever!

Durval Aires Filho, via Facebook

ANTES, tudo era marcado pela letra do homem até ganharmos um grande suporte técnico: a máquina de escrever. Hoje, descrevo a minha antiga Remington como uma espécie de “máquina do tempo”. A rigor, mudamos de teclas, passando de uma fantástica e curiosa forma mecânica de escrever e editar textos, em folhas individuais de papel, um a um, a partir do impulso de nossos dedos, para as teclas do computador, também utilizando os mesmos dedos, mas de forma muito mais leve, com impulsos eletrônicos, não fosse ainda a edição optativa, porque o texto produzido pode ser impresso, inclusive, em diversas cores, ou não, caso queira enviar para outras pessoas que estejam em rede digital.

Fonte: Internet

Posso historiar que a máquina de escrever era um dispositivo mecânico (profissional ou doméstico) inventado por Henry Mill (era o nome do curso em que fui diplomado) e aperfeiçoado por Pellegrino Turri. E, aí, coube a Remington, uma empresa que até então se dedicava a produção de armas, a investir maciçamente na produção de máquinas de escrever, em 1874, já com uma configuração bem próxima do modelo que se tornou popularmente conhecido em todo o mundo, juntando-se depois a outros diferentes concorrentes, outras marcas, que cheguei a possuir, como a italiana Olivetti, a Facit (de origem sueca, mas produzida em Minas Gerais), a Royal e, mais recentemente, a IBM, com maquinas elétricas mais sofisticadas, inclusive, com memória, já bem próxima aos computadores, quando encontraram a severa e melancólica decadência nos fins dos anos 80.

Texto publicado

O fato é que as máquinas de escrever passaram a ser adotadas em todos os setores da vida prática e social, seja pública ou privada, com certeza um artefato mecânico de obrigatório uso em repartições, instituições comerciais, redações de jornais, cartórios, bancos, enfim em todo mercado corporativo que, por sua vez, legitimara seus documentos que poderiam ser por elas registrados e historiados em todas as transações, detalhes e demais aspectos da vida burocrática de uma empresa ou instituição.

Na minha época, ao concluir o ginasial, com ingresso no científico (equivalente ao ensino médio de hoje) o aluno teria convenientemente que possuir um diploma de datilografo, não só como pré-requisito para qualquer emprego administrativo, caso desejasse ingresso no mercado de trabalho, portanto, uma referencia que enriquecia muito o currículo vitae de qualquer rapazinho. Na verdade era uma imposição do mercado que tinha a necessidade de contratação de excelentes datilógrafos, capazes de operar os novos modelos com velocidade, precisão e eficiência.

Fonte: Internet

Possuir um diploma de datilógrafo significava para rapazes e moças mais que ascensão, ou amadurecimento. Interessante é que, por essa habilidade em escrever em máquinas, as mulheres começaram a ganhar espaços em escritórios do mundo inteiro, assumindo funções administrativas, o que constituiu, sem dúvida, para os primeiros passos de emancipação, rumo a futura conquista da igualdade de gênero.

Belo texto de Durval Aires sobre esse objeto de museu, que tanto nos encantava naquele tempo em que a máquina de escrever reinava absoluta nos escritórios dos hotéis, das escolas, dos hospitais, das empresas… de todos os lugares, onde se precisava fazer um ofício, enviar uma carta, redigir um memorando, um bilhete…

Sou dessa época. E vejo tudo como se tivesse ocorrido ontem.

Iniciei-me na datilografia por força. Estava na Escola e me deram a especialidade de Escreventes. A Força Aérea Brasileira é, por sua natureza técnica, bastante fragmentada. No nível técnico, a Escola de Especialistas de Aeronáutica forma sargentos de tantas e tantas especialidades, variando de época para época conforme. No meu tempo havia MR (Manutenção de Radares, ou seja, Eletrônica), que era o terror, também CV (Controlador de Voo, atual CTA), Armamento, Mecânica de aviação, e assim por diante. Você fazia um ano de ensino básico, equivalente à primeira e à segunda série, para só nos dois últimos semestres estudar a especialidade que você ia exercer como sargento nas unidades.

Então, como já disse, me deram Escreventes, sendo aí apresentado à temível máquina de escrever. Comecei catando milho, como se dizia sobre os catilógrafos que batiam numa tecla aqui e outra acolá, vacilantes. Vieram os testes valendo nota e, enquanto batia as teclas, do rosto caíam gotas de suor ao ouvir lá na parede o relojão, como um monstro prestes a nos devorar com o seu tic-tac assustador. Nem a Matemática do básico me deu tanto medo. Quase fui reprovado. Com o tempo, fui melhorando até chegar ao nível de hoje, quando digito — e não mais bato à máquina — sem olhar para o teclado e, se precisar, nem para a tela. Era assim, para você ser um bom datilógrafo, tinha que olhar só para o texto que você estava copiando, nada de olhar para o teclado nem para o papel. Rapidinho mesmo.

Viva a máquina de escrever, essa desconhecida da geração de hoje. Nunca saberão o que é errar lá na última linha e ter de refazer o texto tudo de novo; também não saberão o que é bater toda uma página ou mais e, levando o texto ao chefe ou encarregado, e este corrigir, mudando uma frase, duas ou mesmo uma só palavra que fosse. Em compensação, não era qualquer um que exercia o ofício. Acabaram com as máquinas de escrever e hoje é a vez do tal computador, que todo e qualquer um pode ter.

Ah, essa geração do computador nunca saberá de verdade o que foi a máquina de escrever.

Um comentário sobre “A MÁQUINA de escrever!

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