BELA surpresa!

CONHEÇO o Pedro Brugnara e a Ondina, sua esposa, há aproximadamente dez anos. Esse é o tempo decorrido em que estou aqui nesta aprazível cidade, região Sudoeste do Paraná.

O tempo é um mistério; parece que foi ontem. Também parece que foi ontem quando cheguei a Guaratinguetá. Bem, mas aí já é outra história.

Esse casal bonito era dono da antiga Rosa Móveis, loja popular, barateira e simples, que vendia móveis estofados, roupeiros, televisores, rádios, e tudo o mais que uma casa precisa para funcionar. Pedro e Ondina sempre nos atenderam com aquele sorriso e o caloroso abraço, vendendo sem exigências de muito papel e tudo o mais por um preço que cabia no nosso orçamento. Pena que tiveram que fechar a loja e agora vivem de outro ramo.

Neste domingo encontrei o Pedro e a Ondina no posto de gasolina, o mesmo em que sempre abasteço desde que aqui cheguei, depois de percorrer quase 3.500 quilômetro de Norte a Sul rodando por sete estados brasileiros.

Pois bem.

Neste domingo passado, enquanto os respectivos automóveis eram abastecidos, principiamos a papear. Ele, que ia à sua chácara, falava sobre a pinha, que também pode ser ata ou fruta de conde, conforme a região do Brasil. Disse-me que falara antes com um amigo de Facebook, residente no Ceará.

— Do Ceará?

— Sim, do Ceará. Estávamos na missa campal de Corpus Christi, que foi realizada ali entre o mercado Vizi, atual Ítalo e o Hotel Silver Gold, naquele espaço espremido sob um friozinho de junho — continuou. — Esse amigo começou do nada a falar comigo, puxando assunto. Logo fizemos amizade e hoje nos falamos pelo Facebook.

— Mas eu sei de quem você está falando. — Disse-lhe, e antes que ele dissesse o nome, falei-lhe: Você está falando do Moita, José Augusto Moita.

Tal foi a surpresa desse amigo ao saber que o Moita é também meu amigo, e que veio a Dois Vizinhos, desviando a rota planejada, exatamente para visitar-me, a mim e a minha família.

Mas as coincidências não ficam por aí.

Estávamos praticando o habitual ritual diário, ou seja, o sagrado chimarrão. O relógio marcava mais ou menos sete horas. Alguns minutos e os derradeiros raios de sol haviam se escondido atrás da coxilha de oeste, cedendo seu lugar à noite que se iniciava, quando uma caminhonete se aproxima de nosso portão. O automóvel vem despacito e seu condutor direciona o olhar para nós como a procurar um endereço, parando dois metros adiante já em frente ao prédio vizinho.

— É aqui que inauguraram um fogão à lenha?

Eu e essa minha mania de postar tudo no Facebook. Dias antes, orgulhoso do fogão à lenha (também conhecido por estas bandas como borralho), postei a foto nas redes sociais como a fazer inveja a muitos.

Fiquei pensando quem seria aquela figura. Por já estar escuro, a primeira pessoa em que pensei ser foi exatamente o Pedro (aí está o mistério e a coincidência), esse amigo que encontramos no posto de gasolina. Ambos, à distância e ao escuro, passam um pelo outro, a não ser que abra a boca. Assim que me indagou sobre o tal borralho, fica claro que não era o Pedro, não tinha lógica a visita do Pedro a essa hora, assim sem avisar… Não, não era o Pedro, mas era, já sob a noite sulina, que em junho costuma vir mais cedo, sim, alguém cuja semelhança não fica distante dele. Depois de alguns segundos, clarearam-me as ideias:

— José Augusto Moita!

Sempre tive esse costume de chamar as pessoas pelo nome completo. Isso vem desde quando passei a trabalhar com gente, pessoal, recursos humanos na nomenclatura atual.

— Faltou o Soares!

Era o próprio. Abraçamo-nos, apresentou a esposa, Ivone, e o filho, Dimitri.

O restante da história o próprio Moita já contou através da dita rede social, essa ferramenta que possibilitou a nossa amizade fraterna, como se de fato a gente a fosse amigo desde décadas.

Foi uma baita surpresa. A patroa improvisou um café acompanhado de queijo, salame e pão caseiro, que os amigos, depois de dez horas de estrada, comiam com gosto. Quem mandou não avisar? Se tivesse avisado, a janta estaria feita. Mas, em compensação, estragamos os planos deles em partir para Foz do Iguaçu logo na manhã seguinte. Foram devidamente intimados a retardar a viagem e ficar para o almoço, e aí sim a coisa foi mais farta.

O texto seguinte é do próprio Moita, que, à medida que viaja por este país, vai relatando tudo, a fim de deixar babando os amigos com a inveja santa:

O sol de Dois Irmãos , diferente do seu povo laborioso, é preguiçoso, só acordou depois das sete e meia. Levamos sorte quanto ao frio, não estava muito intenso, deu para colocar a cara fora do hotel às seis e testemunhar duas comunidades católicas espalhando artisticamente serragem colorida pelo asfalto. Dia de Corpus Cristhus, houve uma procissão que terminou em missa campal bem próxima ao hotel em que estávamos.


Já falei do amigo que deixou de ser apenas virtual, o Antônio — é assim que carinhosamente sua esposa Bernadete o chama. Pois bem, eles frustaram nosso plano de sair cedo de Dois Vizinhos para Foz do Iguaçu com um convite para a inauguração de um fogão a lenha , por aqui chamado de borralho. Pensem numa frustração farta e deliciosa! Essa estória de que cearense passa mal devido a seca nos é até benéfica em certas horas, Bernadete preparou comida que dava para uma leva de retirantes: picanha, costela, carne de porco, peixe, risoto de frango, sem contar da macaxeira de desmanchar na boca, da sobremesa de creme de abacaxi e do tempero do ‘muito carinho’ com o qual tudo nos foi preparado e servido. Porém fomos imprudentes ao convidá-los para uma temporada em Fortaleza, vamos passar uma vergonha danada, mas…


Viagens longas de carro não permitem que se faça reserva em hoteis, a imprevisibilidade, por motivo bom ou mau, é fator que se deve levar em consideração. Só que nunca dormimos na rua, sempre encontramos alguma estalagem que nos abrigasse, em Foz do Iguaçu não foi diferente: depois de perambular pela cidade encontramos um RC, ruím e caro, que, por incrível que pareça, se salva no café da manhã, diversificado e lauto.

Chegar em Foz é sinônimo de ir à Ciudad del Este, a meca dos muambeiros brasileiros. Atravessamos a Ponte da Amizade a pé, o modo mais seguro de não ser barrado por falta de documentos, nosso caso, já que a imigração paraguaia exige passaporte ou identidade atualizada — não possuo o primeiro e a segunda é do tempo em que eu parecia com o Raul Seixas. Se juntar àquela multidão de consumidores, enfrentar o caos provocado pelos carros e pelos transeuntes, pode não valer a pena, depende muito do produto a ser comprado. Sem contar que a toda hora tem um fela a lhe importunar oferecendo um serviço de guia ou uma mercadoria. Comigo aconteceu um negócio chato pra cacete, uns oito camelôs me ofereceram viagra e um me ofereceu maconha, o que fez minha patroa me sair com essa: eles estão adivinhando teu presente e o teu passado!

PS ia esquecendo, não se chega e não se sai de Foz do Iguaçu sem pagar um pedágio de R$ 16,40…só para não perder o costume. 

A vida tem dessas belas surpresas. É nisso que reside todo esse combustível que nos movimenta dia a dia.

Vira e mexe o amigo Moita nos cobra a visita. Quem sabe fica para julho do ano que vem. Janeiro já temos uma para Minas.

A Bernardete manda um abraço. Também eu para vocês, nossos grandes amigos. Se bobear, até o Pedro e a Ondina vão querer ir também.

L.s.N.S.J.C.!

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