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O FUTURO do pretérito!

O que será do amanhã /

Como vai ser o meu destino…

João Sérgio (samba-enredo da G.R.E.S. União da Ilha – 1978)

OS FILMES e romances que tratam de ficção científica têm o dom extraordinário de fascinar os jovens e os não tão jovens, em especial os que cuidam de coisas do futuro, que são a grande maioria. Tem sido assim desde que o francês Júlio Verne inaugurou sua vitoriosa carreira literária ao publicar Cinco Semanas em um Balão, dando sequência a tantas outras obras futurísticas como Vinte Mil Léguas Submarinas, Viagem ao Centro da Terra e Volta ao Mundo em Oitenta dias. Não à toa seus livros foram traduzidos para 148 línguas, tal o interesse que despertaram, e despertam ainda hoje, no público em geral. Quase todas as teorias de Verne, que então significavam apenas ficção, imaginação e loucuras, viriam em breve a transformar-se em realidade, daí a importância do escritor até hoje.

Júlio Verne (fonte: Google)

Com a invenção do cinematógrafo, pelas mãos e mentes prodigiosas dos irmãos Lumiere, também franceses, que viabilizou o Cinema, para cuja popularidade muito contribuíram os filmes mudos de Chaplin (já amplamente mencionado nestas páginas), a ficção científica veio mais e mais ainda a atrair multidões, com isso deixando milionários produtores, cineastas, roteiristas e atores da poderosa indústria do entretenimento.

De todas as obras da Sétima Arte, para nós a mais atraente e bem produzida é a trilogia De Volta Para o Futuro (1985, 1989 e 1990), dirigida por Robert Zemeckis, um filme que arrecadou a bagatela de 380 milhões de dólares norte-americanos somente no primeiro ano de seu lançamento. O enredo gira em torno do adolescente Martin McFly (Michael J. Fox), que em 1985 embarca num automóvel-máquina do tempo, inventada pelo cientista Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd). Acidentalmente o jovem volta trinta anos no tempo, de forma que, uma vez lá no passado, acaba por influenciar na vida de seus pais.

Robert Zemeckis (fonte: Google)

O que há de especial nessas obras? Diferente das de Verne, que, de início apenas imaginação, depois vieram a concretizar-se, e dos filmes populares de antes, que focavam no futurismo fantasioso e irrealizável, De Volta Para o Futuro — um filme cujo enredo é também fantasioso e irrealizável — provoca-nos a vontade de voltar no tempo e mudar o curso da nossa própria história. Quem nunca se perguntou: “E se eu pudesse voltar no tempo e mudar tudo isso que vivo agora?”.? Mas logo, caindo na real, você começa a questionar a existência de seus filhos, seus amigos, sua vida profissional e afetiva, ou seja, tudo o que de bom e de ruim ocorreu ao longo de todos os anos vividos, e vê simplesmente que mudar o curso de sua existência e tudo o que ocorreu em função dela mexe com a vida de tudo e de todos. Mas já imaginamos se os outros resolvessem fazer o mesmo?

Dentre o passado, 1955, o presente (no filme, 1985) e o futuro (o longínquo 2015), o que mais nos impressionou não foi o passado — que já conhecemos — nem o futuro, que na ocasião não conhecíamos. Para recriar o passado, Zemeckis e equipe tiveram apenas que reproduzir imagens de livros, jornais, revistas, teatro e filmes da época; já para o desconhecido futuro caem nos mesmos erros de seus predecessores, imaginando que hoje teríamos carros voadores e coisas do tipo. O que nos chamou a atenção foi quando, em 2015, o personagem Biff Tannen (Thomas F. Wilson), o vilão da trilogia, já idoso e fracassado, apossa-se de um almanaque e retorna ao longínquo 1955 com a intenção de refazer sua vida. De volta ao passado, oferece ao jovem Biff (ele mesmo, sessenta anos atrás) a tal publicação onde estão publicados todos os resultados esportivos do país durante os cinquenta anos seguintes.

Biff é de personalidade arrogante, violenta, egocêntrica, um jovem limitado intelectualmente, cuja rotina é ocupar-se sistematicamente em importunar as garotas e intimidar os psicologicamente mais fracos, como aquele que viria a ser o pai de Martin, em 1955 um adolescente inseguro e tímido. Na vida adulta, o sacripanta teria dois caminhos a seguir: viver o restante de seus dias como parasita a explorar outros sujeitos, como George McFly, a quem ele controla, ou então seguir a vida como um trabalhador humilde, ou seja, um fracassado — na cultura estadunidense.

Não sendo capaz de enriquecer por meios lícitos, o jogo se apresenta como a única maneira de ele se tornar endinheirado e poderoso, mudando sua sina.

De Volta para o Futuro (fonte: Google). Quais as consequências de se viajar no tempo?

Tendo visitado o futuro, Martin McFly retorna a 1985, época em que o adolescente vive com os pais, irmãos, e tem uma namorada. De volta, é surpreendido ao encontrar uma cidade semidestruída e abandonada, quase em nada lembrando a bucólica Hill Valley, Califórnia. Seria um pesadelo?

O que aconteceu então? Biff Tanen, de posse do almanaque que ele próprio entregara a si mesmo, passa continuamente a apostar nos vencedores, resultando que, em pouco tempo, ele vem a adquirir imensa fortuna e daí a conquistar o poder na cidade. Todo o presente (1985) — dele e de todos os habitantes da cidade — é alterado. Biff, um tirano, torna-se o dono de tudo, inclusive da polícia e das demais autoridades públicas. Sob seu domínio, a cidade de Martin, antes pacata porém progressista, transforma-se num caos. Os habitantes da fictícia Hill Valey, Califórnia, vivem agora sob as trevas da intranquilidade, sem direitos nem paz, com o filme apresentando-nos um cenário de ruas e calçadas cheias de lixo, muros e paredes pichadas, violências, incêndios, miséria, prostituições, corrupção, infelicidades, sem escolas e hospitais. A polícia só existe para perseguir a população em vez de protegê-la, tudo em função dos interesses de Biff, que em nada se importa a não ser consigo mesmo e seus negócios que não cessam de prosperar. Para piorar, o milionário “conquista” Lorraine, a mãe de Martin, depois de lhe ter assinado o marido, George McFly.

De tudo é possível retirar ensinamentos. Diante do cenário fictício provocado com a irrealizável viagem no tempo, formulamos as seguintes indagações:

1) Para formar um milionário quantos miseráveis são necessários?

2) Qual a linha divisória entre o policial e autoridades corruptas e o malfeitor?

3) Qual será uma sociedade quando suas autoridades públicas consideram desperdício investir em áreas sociais?

Essa situação de desordem geral obriga o jovem Martin McFly a retornar no automóvel-máquina do tempo novamente a 1955 a fim de recuperar o tal almanaque e assim evitar que seu maior inimigo se torne poderoso, salvando o futuro dele e da cidade.

Alguns ensinamentos nos dão a fictícia trama. Sendo possível viajar no tempo, ninguém o faria impunemente. Seria impossível prever o desenrolar dos acontecimentos futuros, sem controle algum sobre os fatos. Os indivíduos não se contentariam com apenas o poder econômico; este, uma vez conquistado, o próximo seria o poder político; depois, a tirania. O poder corrompe pelo bem (corrupção financeira e moral propriamente dita) ou pelo mal, a violência. De início, o bem-estar social é negligenciado; mais tarde, combatido, pois os recursos existentes precisam ser direcionados para satisfazer as ambições do sujeito ou grupo dominante, deixando a população faminta à própria sorte. Por último: o que passou, passou, e o presente é, muitas vezes, consequência das ações e fatos passados; o futuro nós fazemos hoje com nossas ações responsáveis tendo sempre em vista o bem comum.

Infelizmente algumas comunidades brasileiras vivem drama semelhante ao da fictícia Hill Valley. Os meios de comunicação nos trazem diariamente o problemático cotidiano de seus habitantes, que vivem amedrontados a mercê do poder paralelo instalado, um poder a serviço de gente poderosa que manda e desmanda. Alguma semelhança com a realidade não é mera coincidência, com a realidade imitando a arte.

Qual será o futuro deste país? Arte: Arievaldo (fonte: Facebook)

Referências:

  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Júlio_Verne;
  2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_e_Louis_Lumiére
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Zemeckis
  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Back_to_the_Future_Part_II
  5. Experiência de vida e visão do autor.

L.s.N.S.J.C.!

Por Valentim

Azulino (torcedor do Clube do Remo, Belém). Paraense radicado no Paraná; construtor de pontes e demolidor de muros! Passeia também pelo YouTube, no canal BLOGUEdoValentim! L.s.N.S.J.C.!

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