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A FAB e a Revolta de Jacareacanga! (parte final)

… Continuação da postagem de 05jun2020.

ENQUANTO o Presidente Vargas não chega com as tropas de infantaria, reina a monotonia, com Veloso e Lameirão tirando boas sestas deitados nos bancos de pau do aeroporto santareno. Mas ainda nesse 21 de fevereiro, decolam o AT11 para um voo de observação sobre o rio Amazonas. Na volta desse voo, Veloso e Lameirão quase colidem o AT11 com o B17 legalista, que diariamente cumpre sua missão de atemorização, panfletização e reconhecimento. Depois do pouso, não havendo tempo para a camuflagem, surgem repentinamente dois Catalinas, e um deles, o 6514, manda chumbo. Os tiros de metralhadora, no entanto, erram o alvo. Os rebeldes revidam… com tiros de revólver, numa cena parecida com filmes de pastelão, de acordo com a filosofia vampetiana em que “eles fingem que atacam e nós fingimos que nos defendemos”.

O Catalina 6514 manda chumbo, e em terra Lameirão reage… de revólver, uma cena colhida pelas lentes dos fotógrafos dos Diários Associados (imagem: Diários Associados, via Google)

Ainda assustado com a cena de véspera e a iminente chegada do Presidente Vargas com as tropas para lhes darem combate, Lameirão, na tarde de 22 de fevereiro, sobrevoando o Amazonas, avista uma embarcação já bem próxima a Santarém. Seria o navio legalista, que, tendo as autoridades dado como partida o dia 21, na verdade teria zarpado de Belém dois ou três dias antes?! Lameirão, muito nervoso, tão logo pousa de volta, corre para relatar a Veloso a necessidade de bombardear o navio. Este, porém, mais sensato, prefere outra reação, realizando uma retirada estratégica. Veloso argumenta que um ataque à força-tarefa, com o navio já aportado, de nada adiantaria, já que a tropa logo, a essa hora, teria desembarcado sem perda de tempo. Diante da gravidade da situação, decide partir para Jacareacanga evacuando armas, munições, gasolina, víveres e 25 homens que julgavam ser leais ao movimento. É um voo épico, pois chegam às 21 horas com a pista iluminada apenas por lampiões a querosene.

Nos grandes centros do país a imprensa agitava-se dando a ideia geral ao público de que os chefes militares do Exército e a Aeronáutica batem cabeça e não se entendem na condução do problema. Por isso, no Rio de Janeiro, o Exército emite nota:

Como é do conhecimento público, há pouco mais de 10 dias, dois ou três oficiais aviadores, levados pelo inconformismo com a atual situação, em que os Poderes constitucionais da República exerçam o seu mandato legalmente, lançaram-se à aventura de uma rebelião contra os seus chefes, internando-se na Amazônia e perturbando o tráfego comercial aéreo pela obstrução de uns campos de pouso naquela vasta região e também causando profunda repercussão na vida financeira do país com graves prejuízos para a sua economia pela queda de preços nos mercados internacionais dos produtos. O exmo. sr. ministro da Guerra tem afirmado, por mais de uma vez, que a intervenção do Exército só se tem feito sentir por solicitação da Aeronáutica, e assim mesmo em caráter preventivo, carecendo de fundamento as noticias tendenciosas veiculadas por determinados jornais e estações de rádio. A onda crescente de informes desencontrados nos dois últimos dias sobre a situação do pais e as noticias de irrupção de vários focos de agitação conduziram as autoridades a uma investigação mais ampla sobre a veracidade dos informes que pode ser resumida nas seguintes conclusões: a) os focos de agitação estão limitados aos já assinalados no Estado do Pará, esforçando-se o chefe da Aeronáutica pela sua redução e extinção; b) nada de anormal foi registrado em Recife e Bahia, conservando-se as guarnições das três Forças Armadas naquelas capitais leais ao governo da República; c) reina calma nos demais Estados da Federação, cujas autoridades civis e militares em constantes mensagens, vêm hipotecando solidariedade ao exmo. sr. presidente da República e ministros das Forças Armadas; d) A Zona Militar Leste fiel à sua tradição de obediência aos preceitos constitucionais, foi, por ordem do exmo. sr. ministro da Guerra, mandada ficar em Estado de Alerta, pronta pára debelar, com energia, qualquer foco de subversão da ordem pública; e e) finalmente, que está o govêrno em condições de reprimir toda e qualquer tentaiva de perturbação da ordem, não tolerando os chefes militares que a insídia e a solércia de maus brasileiros provoquem situações de intranqüilidade da ordem pública ou imponham mudanças de atitudes na disciplina. (a) General de Ex. Odllio Denys, comandante da Zona Militar Leste.

A mesma edição do Correio da Manhã, que publicou a nota acima, também informa, com uma pitada de sentimentalismo, que a mãe de Paulo Victor, aflita com a situação em que se vê envolvido o filho, chega a Belém:

[…] a senhora mãe do major Paulo Vitor, que ontem chegou a esta capital a bordo de um “Constellatlon” da Panair do Brasil, enviará por intermédio da Primeira Zona Aérea uma mensagem ao seu filho apelando para que ele se renda às tropas do governo. Adianta ainda a mesma fonte que nessa mensagem aquela senhora fará valer os seus sentimentos de mãe, descrevendo-lhe ainda os sofrimentos por que tem passado em virtude da atitude adotada pelo filho. A mãe do major Paulo Vitor, em conversa com o coronel Policarpo teria dito entre soluços: “Poupem o meu filho. Que Deus faça tudo para que ele volte na santa paz”.

De volta à zona de conflito.

Os jornais noticiam diariamente sobre a Revolta de Jacareacanga (imagem: Google)

Na verdade, o navio Presidente Vargas, que sobe lentamente o Amazonas trazendo a força-tarefa, ainda está longe. O navio avistado por Lameirão era, na realidade, o Lobo D’Almada com centenas de passageiros a bordo. Esse engano é providencial para a sorte futura dos revoltosos. Se Veloso tivesse determinado o ataque ao navio aportado em Santarém, teria sido o responsável direto por centenas de mortes de civis inocentes, revoltando a opinião pública; se a embarcação ancorada fosse o Presidente Vargas, eles, aniquilando o contingente militar, teriam provocado uma reação armada sem precedentes, com o governo federal mobilizando todas as forças de terra, mar e ar em sua perseguição. Dessa forma, os revoltosos dificilmente teriam escapado com vida.

Somente na manhã de 24 de fevereiro, sexta-feira, chega o navio, e a cidade, cuja população já sofria desabastecimento, volta a seu ritmo de vida normal. Abrem-se os bancos, a Caixa Econômica, o telégrafo. As estações de rádio das companhias comerciais de aviação voltam a funcionar; as muitas pessoas e famílias, que se haviam evadido ante o noticiário alarmista das emissoras de rádio de outras cidades, regressar às suas respectivas casas. Nem tudo, porém, é tão ruim assim, pois sempre há o lado positivo. A hotelaria, por exemplo, festeja as casas cheias, já que militares, jornalistas, juristas, mascates e prostitutas dormem quase uns por sobre os outros nos quartos e corredores dos poucos hotéis estabelecidos na cidade mocoronga. Se saem os revoltosos, chegam os soldados, que passam a circular na cidade, fazendo de Santarém a base de operações do QG montado contra os insurgentes. Santarém, Jacareacanga e região ficam nacionalmente famosas.

As pistas de aviação de Itaituba e Jacareacanga, entretanto, continuam obstruídas. Lameirão decola no AT11 para Itaituba, com a missão de trazer de lá alguns homens seus. Em voo, lança a senha combinada, mas não esta não é respondida pelo pessoal de terra. Desconfiado, retorna a Jacareacanga. Sabe então que esses homens já haviam deixado Itaituba por via fluvial, provavelmente amedrontados pela propaganda legalista, ao mesmo tempo que pressentiam a chegada dos militares.

Ainda em voo vem matutando sobre o que fazer. Resolve que confiará a Cazuza a missão de armadilhar um trecho de quinze quilômetros de terra, que, por ser paralelo ao trecho em que o rio encachoeirava, provavelmente será cumprido a pé pelas tropas legalistas. Quando chega, sabe que Cazuza já seguiu acompanhando Veloso para um povoado chamado São Luís, que fica a meio caminho de Itaituba. Lameirão e Veloso, portanto, estão sem comunicação.

Assim que desembarca do Presidente Vargas, sem perda de tempo, a tropa de infantaria transfere-se para barcaças, de calado raso, a fim de evitar encalhe, e, sob o comando do tenente-coronel Delayte, principiam a subida do rio Tapajós. Isso confere com as previsões de Veloso, que então, no trecho encachoeirado do rio, onde ele se estreita e se encurta a distância entre a mira e o alvo, planeja armar seus índios e caboclos. Os rebeldes estariam à espera das tropas, para, derramando gasolina no rio, atearem fogo. Levará chumbo quem conseguir escapar das labaredas.

Tropas legalistas descansam (imagem: Google)

Algo, porém, dará errado. Veloso é vítima indireta dos próprios planos. Sem gasolina suficiente, ele, Cazuza e alguns homens vão a Itaituba em busca do combustível. Isso ocorre porque fica, nesse espaço temporal, sem contato com Lameirão e por essa razão desconhece seus homens já têm se evadido da cidade. Antes, eles fazem uma escala em São Luís, onde Cazuza tem parentes, para depois seguirem destino a Itaituba. Ao se aproximarem, Veloso manda dois de seus homens primeiro para sondarem o terreno. Ocorre que Hugo Delayte e sua tropa já dominam a cidade, prendendo os batedores, que denunciam o plano de Veloso, inclusive indicando a sua provável localização. Diante da demora dos dois homens, Veloso e sua equipe voltam.

Horas mais tarde, os dois batedores conduzem Delayte e seus soldados a São Luís, mostrando a cabana onde Veloso provavelmente está escondido. O homem, ao ouvir passos, sai para ver o movimento e, mal abre a porta, é metralhado.

Dois ou três minutos antes, pressentindo a chegada dos legalistas, Veloso escapulira pelo mato a dentro. No chão jaz Cazuza, a única vítima daquele conflito, que morre sem saber por que estava lutava. Revelar-se-á mais tarde em inquérito que Cazuza foi atingido por um sargento conhecido por Mineiro, com quem tinha uma desavença de outros carnavais.

De Santarém decolam Catalinas levando as tropas de paraquedistas para desembarque anfíbio, cientificados por Delayte de que o plano de Veloso fora desmantelado. Também decolam os B25 carregados de bombas e munição para as metralhadoras. O brigadeiro Cabral, que comanda pessoalmente a operação aérea, determina ataque. Metralham a pista e, diante dos rasantes e rajadas disparadas pelos B25, os caboclos que apoiavam os rebeldes correm em desespero, embrenhando-se na mata. Os três Catalinas pousam na água do Tapajós, e os 45 paraquedistas desembarcam, caminhando vários quilômetros que separam o rio do aeroporto.

Um dos aviadores é o capitão-aviador Ivan Zenoni Hausen, atleta olímpico dos cem metros rasos, tendo participado dos jogos olímpicos de Londres em 1948. O aviador teve em novembro de 1955 um problema disciplinar com o major-aviador João Paulo Moreira Burnier, recusando-se a cumprir ordem de metralhar instalações ocupadas por militares que se mantinham leais ao governo de JK e obedientes ao general Lott, por conseguinte. “Eu não posso disparar contra meus irmãos, eu tenho religião…”. Diante disso, Burnier retruca: “Seu covarde, está preso!”. Agora, diante da escassez de pilotos dispostos a combater os rebeldes, e vendo a dificuldade por que passa o brigadeiro Alves Seco, Zanoni oferece-se voluntariamente para a missão. Porém as ordens do ministro são de apenas persuasão, sem mortes.

João Paulo Moreira Burnier (imagem: Google)

Mas as tropas legalistas não encontram o C47, que está camuflado sobre folhagens à beira da pista – ou não quiseram encontrá-lo. Diante da derrota, a Paulo Victor e a Lameirão não resta outra saída a não ser a fuga. Decidem fugir para a Bolívia, sob a “perseguição” de Zanoni, que vê à distância galhos e folhas a se desprenderem da fuselagem do 2059.

Com todos os campos de aviação controlados pelas forças legalistas, as ações se concentravam nas buscas a Veloso. Por isso, vamos diretamente para o dia 29 de fevereiro, uma quarta-feira.

Ele está sentado numa cadeira de balanço, na varanda da casa do tabelião Manuel Lauro Figueira de Mendonça, na beira do rio. Nesse momento, traga um cigarro do tipo palheiro quando recebe voz de prisão do capitão Milton Castro, comandante de uma patrulha de sargentos e cabos da Aeronáutica: “Renda-se, Major, para não morrer!”, avisa o capitão. “Tantos homens para dominar um só?”, responde o rebelde, com uma ponta de sorriso e muita ironia. Veloso é imediatamente levado à presença do brigadeiro Cabral, que comanda em Itaituba a contraofensiva aos rebeldes. “Mas logo você, Veloso? Você, Paulo Victor e Lameirão, todos meus amigos… “ inicia a falar calmamente o brigadeiro, manifestando o seu desapontamento com a ação desleal dos subordinados. “Há gente que presta, brigadeiro!”

Veloso é preso (imagem: Google)

Diante de tamanha insolência, oficiais do estado-maior do brigadeiro Cabral intervêm na conversa para repreender Veloso e enquadrá-lo, lembrando-lhe a condição de transgressor da lei. Mas Veloso não se cala facilmente: “A lei para mim só existiu até o 11 de novembro!”, responde Veloso, aludindo ao dia que o ministro da Guerra, general Teixeira Lott, depôs, em 1955, o presidente interino da República, Carlos Luz, e em seguida o titular, Café Filho, sob a acusação, comprovada, de que ambos tramavam o golpe para não dar posse ao eleito Juscelino Kubitschek. Mesmo diante da impertinência de Veloso, o brigadeiro Cabral, demonstrando a educação de um lorde, não revida e não altera a voz, como um bom mineiro. Dirige-se aos oficiais legalistas e, num gesto de genuína generosidade, traça a melhor biografia do rebelde, tentando abrandar a situação. “Creio que sei o que se passou com Veloso” — diz o oficial-general — “este homem trabalhava, patrioticamente, na tarefa árdua de abrir pousos dentro da mata. Aí estão Jacareacanga e Cachimbo como monumentos a esse rapaz extraordinário. No entanto, o que acontecia no Ministério? Havia sempre gente a intrigá-lo no Gabinete do Ministro. Veloso foi sempre um homem de trabalho, um homem sério. Sentiu como uma ferroada as injustiças. Ficou recalcado. Quando surgiu a contrarrevolução, da qual ele discordava, seu espírito já estava preparado para a revolta. E aí ele fez essa bobagem…”. “Não considero uma bobagem o que fiz”, Veloso interrompe o brigadeiro com mais uma ousadia, não sendo nem um pouco sensível ao depoimento favorável de seu superior hierárquico. É reveladora essa intervenção generosa do brigadeiro, mostrando como ele realmente pensava.

A imagem do brigadeiro Vasco Alves Secco, ministro da Aeronáutica, diante do presidente da República, torna-se desgastada. Todavia, de fato Alves Secco enfrentou dificuldades em arregimentar combatentes para aprisionar Veloso

Veloso fica preso no Parque de Aeronáutica de Belém. É o dia 29 de fevereiro de 1956, data em que um governo democraticamente constituído desmonta um movimento sedicioso que tinha por fim implantar no país um regime de governo militar, adiando o fato por oito anos. No dia seguinte, JK, num gesto magnânimo e calculado, surpreende a Nação, enviando ao Congresso um projeto concedendo anistia aos partícipes de rebeliões contra seu governo. Ainda assim, setores radicais da Aeronáutica e das outras armas não se conformam com a decisão, uma vez que o projeto de lei estende o benefício também aos enquadrados como comunistas.

Em Jacareacanga, o brigadeiro Veloso é tido como herói. Os poderes locais lhe rendem homenagem, dando seu nome a uma avenida e a uma escola. Em Santarém também há uma escola com o nome do brigadeiro Veloso, além de uma estátua de corpo inteiro. Idêntica homenagem ganhou também Veloso em Itaituba. Na Serra do Cachimbo, onde Veloso foi pioneiro, há ainda uma Unidade da FAB com o seu nome, onde este humilde escriba serviu na década de 1990.

Apesar de perdoado, Veloso, sempre recalcado, torna a reincidir em rebeliões, e participa de outra rebelião com os mesmos objetivos: derrubar o governo JK. Foi em 1959, sob a liderança do tenente-coronel Burnier. É por uma dessas ironias da vida, que acaba seus dias por conta de um ferimento à bala perpetrado exatamente por elementos do regime que ele lutou por implantar no Brasil. Quase ao final da década de 1960, na condição de deputado federal eleito pela Arena, numa passeata em que visava garantir a reintegração de Elias Pinto, prefeito de Santarém perseguido pelo tenente-coronel Alacid Nunes, governador nomeado do Pará, Veloso é atingido na virilha por um projétil disparado pela Polícia Militar, em que morrem mais dois homens. Alacid teria dado ordens expressas para reprimir com violência qualquer tentativa no sentido de reconduzir o prefeito à sede da prefeitura, mas Veloso, escudado na sua condição de parlamentar e, sobretudo, na patente de brigadeiro, paga para ver. Nem esperou o Dia do Aviador, morrendo em 22 de outubro de 1969 aos 49 anos.

*** FIM ***

Referências:

  1. https://histatual.blogspot.com/search?q=jacareacanga.
  2. MOREIRA, Pedro Rogério. Bela Noite para Voar: um folhetim estrelado por J.K.. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2006.
  3. ARGOLO, José Amaral et al. A Direita Explosiva no Brasil. Rio de Janeiro: Mauad, 1996.
  4. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, edição de 24fev1956, sábado.
  5. https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Paulo_Burnier
  6. Visão pessoal do autor.
Imagem: Google

L.s.N.S.J.C.!

Por Valentim

Azulino (torcedor do Clube do Remo, Belém). Paraense radicado no Paraná; construtor de pontes e demolidor de muros! Passeia também pelo YouTube, no canal BLOGUEdoValentim! L.s.N.S.J.C.!

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