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O INCOMPARÁVEL Chaplin!

Quando Charles Spencer Chaplin Senior faleceu, seus pertences, conforme a lei, foram entregues à mãe de Chaplin, Hannah, por ser esta a esposa legítima, embora ele vivesse com outra mulher. Nesse dia, Chaplin, Sydney e Hanna, a mãe, nada tinham para comer e nem dinheiro para comprar uma refeição sequer. Foi quando, ao balançar uma calça do pai recém-falecido, caiu uma moeda. Com essa moeda compraram a única refeição do dia.

O garoto Charlie (imagem: Google)

Charles Spencer Chaplin foi um ator, humorista, diretor, produtor, dançarino, roteirista, músico e empresário britânico, que viveu entre 16 de abril de 1889 e 25 de dezembro de 1977. Seu pai, que também se chamava Charles Spencer Chaplin, era ator e vocalista; Hannah Chaplin, sua mãe, era cantora e atriz. Ambos, pai e mãe, tentavam ganhar a vida no music-hall inglês, nos circos ou em qualquer palco decadente da Londres dos subúrbios londrinos da segunda metade do século 19. Charlie herda, pois, de seus pais o único bem de que dispunham: o dom artístico.

Charlie vivia sua infância ora pobre, ora miserável, em companhia de sua mãe e de seu meio-irmão Sydney, a quem muito estimava. O pai, alcoolista, havia constituído outra família, vindo a morrer de cirrose hepática quando Charlie tinha doze anos. Hannah, que perdera a voz por problemas de laringe, finda seus dias padecendo de distúrbios mentais causados pela desnutrição.

Mildred Harris, primeira esposa de Chaplin (imagem: Internet)

Não bastando a infância miserável — ou talvez como consequência dela –, a vida privada do Chaplin adulto vem a ser bastante conturbada. Nos Estados Unidos, tem problemas com a justiça e com o governo Norte-Americano, sob a acusação genérica de comunista. Casa-se por quatro vezes. Aos 28 anos, com Mildred Harris, de apenas 16 anos. Depois, com Lita Grey, que também tinha 16 anos de idade. Mais tarde, com Paulette Goddard. E, por último, aos 54 anos e definitivamente, com Oona O’neil, de apenas 18 anos. Neste último relacionamento, apesar de tamanha diferença de idade, o casal viveu feliz por longos 34 anos, tendo oito filhos. Ao todo, Chaplin foi pai de onze filhos.

Em “Luzes da Cidade”, 1931, com Harry Myers, o milionário excêntrico (imagem: Internet)

Após ter sobrevivido como vendedor de jornais, tipógrafo, fabricante de brinquedos, soprador de vidros, recepcionista de médico e ter passado por outros subempregos ocasionais, Charlie, tal como Sydney, não perde de vista a resolução de ser ator. É ainda apenas um garoto. Assim, entre um emprego e outro, engraxa os sapatos, escova a roupa, põe um colarinho limpo e visita periodicamente as agências teatrais londrinas. Faz isso até que o estado deplorável de sua roupa o proíbe de mais visitas.

Quando as esperanças parecem tê-lo abandonado de vez, eis que Charlie recebe um comunicado:

“Favor comparecer à Agência Blackmore, Bedford Sreet, Strand.”

Na entrevista de emprego, o jovem Chaplin utiliza-se da autoridade de quem, aos cinco anos, invadindo o palco, dá continuidade à apresentação interrompida da atriz e cantora Hannah Chaplin, salvando-a de um vexame causado pela perda repentina da voz. A sobrevivência e o hábito obrigam-no a mentir a idade, dizendo ter catorze anos quando na verdade tem apenas doze. É outono de 1901, quando o adolescente consegue sua primeira oportunidade no teatro para uma turnê de quarenta semanas, a duas libras e dez xelins por semana.

Fred Karno, o empresário de pantomimas e comédias burlescas, fez objeções à fisionomia extremamente juvenil de Chaplin, que se candidatara ao emprego. “Isso é uma questão de maquiagem”, respondeu Chaplin com desenvoltura. E acompanhou a frase com um desdenhoso movimento de ombros.

Fred Karno, agente teatral (imagem: Internet)

“Parecia que o mundo de repente mudara, tomando-me nos braços com carinho e me adota”, declara Chaplin em suas memórias.

Nesse dia, Charlie vai para casa tonto de felicidade. Subitamente, compreende que deixa para trás a vida de miséria para realizar um sonho tão desejado – um sonho de que sua mãe falara tanto: ele ia ser ator. Já não era mais um vagabundo dos bairros miseráveis, agora era um personagem do teatro. Charlie tinha vontade de chorar.

Em casa, quase não sabendo ler, Sydney o ajuda nos diálogos. São muito unidos, e a presença do irmão em sua vida jamais será esquecida por Chaplin.

A vida, porém, lhe reservaria muito mais.

Charlie já estava acomodado à situação e, assim, teria tudo para ser apenas mais um obscuro ator do teatro popular inglês quando, em 1905, surge em sua vida o empresário Fred Karno, dono de cinco companhias teatrais. É na trupe do velho Karno que, entre 1910 e 1912, Chaplin, já experiente artista do teatro de variedades inglês, faz uma excursão pelos Estados Unidos, levando à América toda a performance das casas de espetáculo britânicas, que encantava a baixa sociedade da época. Até então, o teatro popular é somente uma forma de ganhar a vida, sem maiores ambições. A sorte de Chaplin, porém, começa a mudar e ele não seria apenas mais um ator. A trupe de Fred Karno volta outras vezes à América do Norte. É então o final de 1913 quando as atuações diferenciadas de Chaplin chamam a atenção de Mack Sennett, Mabel Normand, Minta Durfee, representantes da incipiente indústria cinematográfica norte-americana.

Chaplin e Lita Grey, sua segunda esposa (imagem: Internet)

Assim, em 1914 Sennett o contrata para a Keystone Film Company, onde faz, durante esse ano, 34 filmes de curta-metragem e um longa, tornando-se um artista famoso, ainda que ele próprio desconheça o fato. É, porém, artisticamente ainda um esboço do que virá a ser. Nesse ano, o jovem Chaplin, que até então o mundo desconhecia, é apresentado ao cinema; e – principal – o cinema é apresentado a Chaplin, que logo vislumbra nessa arte mil possibilidades, diferenciando-se dos quase anônimos atores e demais profissionais da suburbana Hollywood da década de 1910.

Fred Karno, o empresário de pantomimas e comédias burlescas, fez objeções à fisionomia extremamente juvenil de Chaplin, que se candidatara ao emprego. “Isso é uma questão de maquiagem”, respondeu Chaplin com desenvoltura. E acompanhou a frase com um desdenhoso movimento de ombros. (imagem: Internet)

O Vagabundo

Chaplin contracenando com Paulette Goddard, sua terceira esposa (imagem: Internet)

Herdeiro da profissão dos pais, Chaplin teria tudo para ser mais um artista desconhecido, não fosse a figura peculiar do Vagabundo, The Tramp em inglês, fruto de seu singular talento e, certamente, da infância miserável que viveu na Londres do final do século 19. Somada a isso, a experiência no music-hall inglês certamente muito o influencia na construção do Vagabundo, personagem que Chaplin eterniza.

Diz Chaplin sobre o Vagabundo:

“Meu tipo era diferente e não se aproximava de qualquer outro que os norte-americanos conheciam. Dentro daquelas roupas, ele se tornava uma realidade, uma pessoa viva.”

Além desses fatores, Chaplin tem a oportunidade de iniciar numa arte e indústria nascente, o Cinema, a Sétima Arte, como veio a ser intitulado devido à enorme popularidade. Convém lembrar que não decorrem duas décadas desde que os irmãos Lumière haviam, em 1895, apresentado sobre uma parede branca sombras cinzentas de operários saindo de uma fábrica. Estava inventado o Cinematógrafo, ou simplesmente cinema. Mais tarde, Chaplin casa seu talento inato com a oportunidade, entre outros fatores, resultando no adorável Vagabundo que o mundo vem a reverenciar na pele de Charles Spencer Chaplin.

Chaplin dirigindo seus próprios filmes (imagem: Internet)

Mas os filmes dos Estúdios Keystone se resumem ao pastelão puro e Chaplin, incomodado, sente que pode fazer mais que isso, não se conformando com o esboço. Tem dificuldade para se adaptar ao estilo excessivamente pastelão e de grande correria que são aqueles primeiros filmes.

“Qualquer figurante que ganha três dólares por dia pode fazer o que o senhor está me ordenando. Quero fazer coisa de algum mérito, não apenas andar aos empurrões ou caindo de bondes. Não é para isso que estou recebendo 150 dólares por semana”

Continua…

L.s.N.S.J.C.!

Por Valentim

Azulino (torcedor do Clube do Remo, Belém). Paraense radicado no Paraná; construtor de pontes e demolidor de muros! Passeia também pelo YouTube, no canal BLOGUEdoValentim! L.s.N.S.J.C.!

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