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O INCOMPARÁVEL Chaplin!

… Continuação do texto postado em 03jul2020.

DEVIDO ao estrondoso sucesso que faz pela Keystone, no ano seguinte, 1915, Chaplin é contratado pela Essanay Studios, que lhe oferece um salário mais elevado e – o melhor – a oportunidade de ele compor sua própria unidade de produção. Seus filmes passam a ser mais disciplinados, além de desenvolver melhor o personagem The Tramp. Lá ele faz 14 comédias curtas. Inovando, Chaplin, inspirado em sua infância londrina, injeta momentos de drama, inéditos em comédias pastelão até então. Na Essanay, Chaplin compõe seu elenco estático com Edna Purviance, Leo White e outros atores, que passam a acompanhá-lo em suas obras seguintes.

Charles Spencer Chaplin (imagem: Internet)

O nome do artista e de seu personagem é, a partir daí, traduzido em todos os idiomas – Charlie, em inglês; Charlot, em francês; Carlitos, no Brasil; Carlinhos, em Portugal – são sinônimos da mesma pessoa: Charles Spencer Chaplin. Só mesmo a comédia é capaz de lutar contra as injustiças sociais e, ao mesmo tempo, fugir à censura de uma sociedade puritana como a norte-americana. Chaplin vê a possibilidade de simbolizar, por meio de Carlitos, o vagabundo, a resistência inata às precárias condições da vida, não apenas a que ele viveu e sim a de milhões de pessoas, que assim se sentem representadas em suas comédias aparentemente inocentes.

A Essanay torna-se pequena para o gigante Chaplin. Em 1916, é contratado pela Mutual Film Corporation, que lhe paga 670 mil dólares para fazer doze comédias de duas bobinas, num período de 18 meses – uma fortuna para a época. Por contrato, dá a Chaplin o controle quase total dessas produções, em que ele adiciona a seu elenco estático os atores Eric Campbel, Henry Bergman e Albert Austin. Todos os filmes lá produzidos viram clássicos, como Carlitos Guarda-noturno, Carlitos Boêmio, Casa de Penhores e Carlitos Presidiário.

Cartaz de “Ombro Armas”, de 1918 (imagem: Internet)

Estes estão entre os filmes de comédia mais influentes da história do Cinema, fazendo escola a gerações de comediantes que viriam.

Chaplin considera o período em que esteve na Mutual como o mais feliz de sua carreira. Em 1918, com o fim da Mutual, Chaplin é contratado pela First National Pictures, com a missão de produzir oito filmes com duração de duas bobinas. Chaplin, seguindo seu instinto artístico, percebe que pode fazer muito mais, em vez de limitar-se às exigências dos cineastas que o reduziam a mero fazedor de comédias burlescas. Assim, a companhia dá a ele controle criativo total sobre seus filmes. É importante dizer que, embora os executivos da First National esperassem receber filmes de curtas-metragens, Chaplin os surpreende ao produzir longas-metragens que entram para a história do Cinema, como Ombro Armas! (1918), O Garoto (1921) – película que levou Jackie Coogan, a ser a primeira celebridade infantil da história e também o primeiro filme de comédia dramática – e O Pastor de Almas (1923). Vida de Cachorro (1918) foi o primeiro filme pela First National em que ele e Sydney contracenam juntos pela primeira vez.

Chaplin e Jackie Coogan, O Garoto (imagem: internet)

Não tarda para que Chaplin perceba que a maior parte dos lucros ficam em mãos dos produtores e financiadores. Enxerga aí como a sociedade – embora, naturalmente ele se beneficie dela — é injusta, ao gerar riqueza para poucos a partir do suor dos que realmente produzem. Com o cinema não é diferente. Em 1919, Chaplin decide unir-se a Mary Pickford, Douglas Fairbank e D. W. Griffit para criarem a United Artists, distribuidora de filmes. Agora, além de ator, roteirista e diretor, Chaplin assume também o papel de distribuidor de seus próprios filmes.

Chaplin com Mary Pickford, D. W. Grifft e Douglas Fairbanks fundam a United Artistis distribuidora (imagem: Internet)

Chaplin leva a sério a arte do riso, agregando-lhe funções. Em Carlitos, o indivíduo tem a oportunidade de esbofetear a sociedade, vingando-se das contingências sofridas do cotidiano. Eis aí o segredo. Mais: a surpresa. É o caso, por exemplo, do mágico de circo, que tem seus segredos revelados em O Circo, 1928.

Em 52 anos de atividades no cinema, Chaplin faz ao todo 81 filmes.

Carlitos (The Tramp), um personagem engraçado, mas não alegre, é, provavelmente, o personagem mais imitado em todos os níveis de entretenimento. A arte de Chaplin influenciou uma legião de atores e cineastas, tais como Federico Fellini, Os Três Patetas, Peter Sellers, Milton Berle, Marcel Marceau, Jacques Tati, Rowan Atkinson, Johnny Depp, Michael Jackson, Roberto Gómez Bolaños, Renato Aragão e tantos outros comediantes.

Vídeo-documento em homenagem ao artista (BLOGUE do Valentim1)

Na mesma proporção em que Chaplin ganha fama e fortuna, tendo ajudado a criar uma arte e uma indústria poderosa, que é o cinema de Hollywood, ele também atrai para si a ira e a perseguição. Suas ideias, implícitas em comédias dramáticas e sociais como O Garoto, O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador e Monsieur Verdoux, incomodam as autoridades do governo estadunidense, que o acusam de comunista. Assim, em 1952, ano do lançamento do filme Luzes da Ribalta, quando viaja com a família para a Europa, Chaplin tem revogado seu visto de permanência nos Estados Unidos. O artista, então, decide radicar-se na Suíça, onde vem a falecer em 25 de dezembro de 1977.

“Nos últimos vinte anos conheci o que significa a felicidade. Tenho a boa fortuna de estar casado com uma criatura maravilhosa”.

L.s.N.S.J.C.!

Por Valentim

Azulino (torcedor do Clube do Remo, Belém). Paraense radicado no Paraná; construtor de pontes e demolidor de muros! Passeia também pelo YouTube, no canal BLOGUEdoValentim! L.s.N.S.J.C.!

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