Categorias
Uncategorized

CAVALCANTE de Albuquerque!

OUTRO dia encontrei o Cavalcante, mesma aparência de trinta e tantos anos atrás. Estava mais moreno, queimado de sol. Notei também que em seu braço havia uma ferida grande, igual a buraco.

“Que bom encontrar você, Cavalcante! Desta vez é verdade, pois já o encontrei umas três ou quatro vezes, mas era tudo em sonho.”

Percebi que não se encontrava em boa situação financeira, como nunca esteve – ao menos no período em que o conheci. Eu estava junto com a minha menina Alice. Levou-nos para onde ele se encontrava. Era uma espécie de pensão, pois lá estavam outras pessoas. Pela conversa, depreendi que o Cavuca – como os íntimos o chamavam – morava no Acre ou nalgum município da Amazônia Oriental. Havia vindo à cidade grande provavelmente em busca de melhores condições de sua saúde.

Quem serviu na Manaus da década de 1980 certamente tomou conhecimento da figura de José Leite Cavalcante de Albuquerque, que era primeiro-sargento escrevente. Pernambucano de Garanhuns, trabalhou na Base Aérea nos setores de finanças e de pessoal. Cabra bom, sempre alegre e fazendo piadas de tudo e de todos. A porta de sua casa estava sempre aberta a todos.

Grande amigo, jamais esquecerei de você, Cavuca. Somente anos mais tarde, fui saber a história por trás do sobrenome: Cavalcante de Albuquerque.

Como lema de vida “fazer o bem sem olhar a quem”, foi esse amigo que me amparou no momento em que eu mais precisava, numa hora em que a maioria me virava as costas ou mesmo tripudiava da minha dor.

Cavuca foi mais alguém que, devido às andanças nossas, acabei deixando para trás quando fui transferido para Belém em 1990. Ficou por lá em Manaus, de vez em quando viajando para o interior a fim de aventurar nos garimpos. Perdemos o contato e nunca mais podemos nos falar novamente.

Quando perguntei o seu endereço, principiou-se a gaguejar. Para a minha decepção – esta última vez, que parecia tão real, também foi mais um sonho.

Cavalcante, pelo que soube muito depois, faleceu há mais de uma dezena de anos. E eu que nem pude dele me despedi.

Um dia nós nos encontraremos novamente, Cavuca. E daremos novamente aquelas belas risadas. Até lá, amigo!

L.s.N.S.J.C.!

Por Valentim

Escritor paraense radicado no Paraná, Antonio Valentim é autor do livro "O País dos Militares e dos Bacharéis", ainda no prelo.
Passeia também pelo canal BLOGUEdoValentim!, do YouTube,
L.s.N.S.J.C.!

DEIXE um comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s